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    [Artigo] - Vectex, o console que abandonou os pixels.

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    vits
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    [Artigo] - Vectex, o console que abandonou os pixels.

    Mensagem por vits em Seg 25 Jan 2016, 10:19


    O Vectrex é um console curioso, com formato pouco usual e que apesar de não ter conseguido sobreviver no mercado durante muito tempo, acabou adquirindo o estado de “cult”, conquistando uma pequena legião de fãs, que não apenas mantém viva sua história, como também produzem e distribuem jogos novos, até os dias de hoje. No texto que se segue, vou explorar um pouco desse aparelho, suas vitórias e derrotas, a fim de tentar ajudar a compreender, o que tornou uma máquina tão esquisita, em um console tão memorável.

     História

    A história do Vectrex começa em 1981, quando dois engenheiros da Smith Engineering, Mike Purvis e John Ross, estavam estudando usos para uma série de tubos de raios catódicos (CRT), que haviam adquiridos em uma liquidação. Fortemente inspirados pelo arcade Asteroids, eles começaram a brincar com a exibição de vetores em uma pequena tela de cinco polegadas. Ao ficar sabendo do pequeno projeto, Jay Smith, na época o presidente da companhia, viu potencial para transforma-lo em um produto de sucesso.


    (Primeiro Protótipo)

    A busca por parcerias acabou os levando diretamente a General Consumer Electronics (GCE), uma distribuidora de aparelhos eletrônicos e computadores, que ao ver o protótipo do console, prontamente assinou um contrato de distribuição e produção. Algumas cláusulas do contrato viriam a impor certos obstáculos em seu desenvolvimento, uma delas colocava o lançamento do console para julho de 1982, o que dava a pequena equipe de 7 indivíduos da Smith Engineering, pouco mais de um ano para desenvolver não apenas o console, como seus jogos.

    Divididos em três equipes ainda menores, os sete passaram a desenvolver a carcaça e joystick, o sistema operacional e os softwares que seriam usados nele. Foi uma época de trabalho árduo, para todos eles e alguns acabaram passando noites na instalação industrial, mas todo esse trabalho começou a valer a pena quando a primeira versão do console foi apresentada, ele tinha um corpo em madeira, que alojava uma tela de 9 polegadas e seus controles eram como versões reduzidas dos utilizados em máquinas maiores, levando o conforto dos jogadores em consideração pela primeira vez na história.

    O sistema operacional e o primeiro jogo (Mine Storm) também já estavam quase completos, o que motivou a equipe a continuar o desenvolvimento a ritmo acelerado, mesmo que certas descobertas tivessem afetado negativamente a produção. Por conta da natureza dos vetores, os jogos só podiam exibir contornos e o alto custo das peças, fez com que a tela fosse substituída por um modelo monocromático, limitando a paleta de cores do console para apenas preto e branco.


    (Imagem do jogo Spike)

    Com a data de lançamento se aproximando, certas alterações tiveram que serem feitas a fim de tornar o console melhor comerciável, começando pelo controle, que passou a ter um formato mais próximo do utilizado em máquinas arcade, ainda mantendo o padrão de quatro botões frontais e um analógico digital (precursor do analógico moderno). A ausência das cores, foi parcialmente remediada com a utilização de templates, pedaços de plástico que eram colocados sobre a tela, simulando a presença de cor, um chip de memória também foi colocado em seu interior, nele estava contido o primeiro jogo do aparelho, Mine Storm, como uma espécie de brinde aos compradores.

    E em julho de 1982, o console chega às lojas custando U$199 e atraindo a curiosidade de diversos jogadores. O alto preço do aparelho (quase o dobro da concorrência) podia ser proibitivo, mas a presença de uma tela acoplada fez dele um sucesso de vendas durante as festas de final de ano, já que permitia as crianças usarem seu vídeo game, sem inutilizar a televisão das residências.


    (foto do lançamento)

    Ao longo dos próximos meses o console conquistaria cada vez mais espaço dentro do mercado, recebendo mais jogos, com destaque para Star Trek, um dos primeiros shooters on rail espaciais e Blitz, primeiro jogo de futebol americano a conseguir uma larga base de fãs. Em um curto espaço de tempo quase 20 jogos haviam entrado na biblioteca do aparelho, o que chamou a atenção da Milton Bradley Company, uma gigante da indústria de brinquedos que a anos estava querendo ingressar no mercado de jogos caseiros.


    (Fundador da Milton Bradley Company)

    Oito meses após o lançamento do console, a gigante do mundo dos brinquedos, compra a GCE e com ela os direitos de produção e distribuição de seus produtos. Os planos da Milton Bradley eram ambiciosos, expandir para a Ásia e Europa, vendendo 2 milhões de unidades até o final do período fiscal. Infelizmente o mercado tinha outros planos e em meados de 1983, ocorre o famoso “Crash dos Videogames”, que debilitou o mercado e causou uma série de falências.

    Logo o plano de expansão se tornou um plano de contenção, a empresa tinha poucos meses para retomar o crescimento, ou estaria acabada, assim dois cortes de preço foram realizados, deixando o valor base em apenas U$100. Novos periféricos foram criados, com o intuito de reacender o interesse dos consumidores, como a Light Pen, uma caneta que transformava a tela do console em uma prancheta de desenhos e o 3D Imager, um par de óculos com um disco giratório, que permitia a exibição de gráficos tridimensionais.


    (3D Imager)

    Todas essas novidades acabaram se mostrando em vão e em dezembro do mesmo ano, a Milton Bradley declara falência, sendo absorvida pela Hasbro. A nova empresa possuía grandes planos para o console, mas a situação do mercado ocidental ainda estava complicada e temendo sofrer perdas financeiras, no começo de 1984 as operações na Ásia e Europa foram encerradas e sua distribuição paralisada na América do Norte.  

    O console terminou como uma sombra de seu potencial, com apenas 28 jogos lançados ao longo de seus quase dois anos de mercado e um histórico de crianças com problemas de visão. Mesmo assim, seus gráficos futuristas, boa qualidade de software, "excelente" controle e demais inovações, permitiram que o aparelho continuasse vivendo na memória dos jogadores, com mais de 100 jogos lançados post mortem (muitos em mídia física) e acessórios que permitiram sua conservação ao longo desses 32 anos.


    (Sundance, jogo lançado em 2011)

    Esse é o Vectrex, um console completamente singular dentro da história dos vídeo games e um dos poucos que tentou inovar, em um mercado saturado com computadores em pele de console.


    Última edição por vits em Seg 25 Jan 2016, 17:15, editado 1 vez(es)
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    vits
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    Re: [Artigo] - Vectex, o console que abandonou os pixels.

    Mensagem por vits em Seg 25 Jan 2016, 10:20


    Round Bônus



    -> Hardware: Em termos de componentes, o console é surpreendentemente modesto, equipado com um processador  Motorola 68A09 @ 1.5 MHz, tela de 9" (330 × 410) e modestos 1Kb de memória RAM e 8kb de memória ROM.


    Isso é algo bastante surpreendente, já que em termos de qualidade visual, o Vectrex é muito mais impressionante que seus companheiros de época, o Atari 2600 e Coleco Vision, mesmo que os três consoles tenham especificações próximas.  



    -> Definição de Vetor: É uma imagem de computador, gerada a partir de formas geométricas, que se diferencial das imagens em pixel, por serem identificadas por meio de suas coordenadas e formas, ao invés de por pontos em um determinado espaço. Essa técnica, garante uma maior fidelidade visual em relação ao pixel (raster).



    O Vectrex conseguia gerar gráficos vetoriais usando uma técnica bastante simples, o tubo de raios catódicos bombardeava regiões especificas da tela, gerando imagens contínuas, ao invés de varrer a tela gerando pontos, como os demais consoles fazem.



    -> Jogos: No total, apenas 28 títulos foram licenciados para ele, entre eles jogos originais e ports de outras plataformas, a lista completa você pode ver nesse link. O vídeo abaixo, também contém alguns jogos lançados para o aparelho.




    -> Curiosidades:

    + Ninguém sabe ao certo quantos consoles foram vendidos, estimativas vão de 250 mil até 3 milhões.

    + Uma versão portátil estava sendo planejada, mas o crash de 83 engavetou o projeto.

    + Mas uma versão "bar top" (em referência a "table top"), foi lançada para bares e outros comércios.

    + A emulação desse consoles é totalmente legal, uma vez que seus jogos, sistemas e marcas são de domínio publico.

    + Anos após a descontinuação do console, cartuchos multijogos foram criados para ele.

    + Minestorm é muitas vezes considerado o melhor jogo do aparelho, o que é estranho, já que se tratava de uma cópia de Asteroids que vinha de brinde na memória interna do console.

    + O console pode causar danos leves e moderados as córneas dos jogadores, essa informação chegou tardia para a maior parte dos proprietários e não deve ter impactado as vendas do mesmo.
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    Chazzy
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    Re: [Artigo] - Vectex, o console que abandonou os pixels.

    Mensagem por Chazzy em Seg 25 Jan 2016, 16:42

    Interessante, eu não conhecia esse console.

    O jogo de pinball parece interessante e bem impressionante pra época, o Spike também parece ser legal.

    Só não entendi o motivo do console prejudicar as córneas, que furada isso hein... os entusiastas desse console hoje em dia acharam um jeito de evitar isso?
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    Re: [Artigo] - Vectex, o console que abandonou os pixels.

    Mensagem por Sheik em Seg 25 Jan 2016, 17:01

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    Re: [Artigo] - Vectex, o console que abandonou os pixels.

    Mensagem por vits em Seg 25 Jan 2016, 17:09

    Chazzy escreveu:Interessante, eu não conhecia esse console.

    O jogo de pinball parece interessante e bem impressionante pra época, o Spike também parece ser legal.

    Só não entendi o motivo do console prejudicar as córneas, que furada isso hein... os entusiastas desse console hoje em dia acharam um jeito de evitar isso?

    Como o Vectrex varria a tela e apenas exibia gráficos em alguns pontos, isso criava uma série de flash de luz, que mais tarde foram ligados a danos as córneas dos indivíduos, não existe uma forma de evitar que isso aconteça, mas é algo relativo a própria máquina, então emuladores, felizmente não causam esse tipo de estrago.

    O vídeo que o @Sheik postou mostra bem esses "flashs".  
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    Re: [Artigo] - Vectex, o console que abandonou os pixels.

    Mensagem por Dv_At em Ter 23 Fev 2016, 15:16

    O Vectrex não é tão exótico, há vários fliperamas (arcades) do mesmo tempo que usavam gráficos vetoriais, mas em relação aos consoles de mesa, acho que é único.
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    Re: [Artigo] - Vectex, o console que abandonou os pixels.

    Mensagem por Shiny em Ter 23 Fev 2016, 15:19

    Eu conhecia pelo vídeo do AVGN, mas bom tópico, n sabia da história

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    Re: [Artigo] - Vectex, o console que abandonou os pixels.

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