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    Uma análise da estória de Metroid Other M

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    Goukeban
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    Uma análise da estória de Metroid Other M

    Mensagem por Goukeban em Dom 04 Nov 2012, 17:19

    Análise da estória de Metroid Other M

    NOTA: Como eu postei a análise também no Google Docs (https://docs.google.com/document/d/1a5VO4ejuTrMxvc6D7Vf3PN8SJurghfLfZ-mRthrkRsk/edit?pli=1), eventualmente faço correções ou adições ao texto, então quem se interessar a ler a análise, indicaria que lesse a versão do link na minha assinatura.

    Olá a todos. Bem, este é meu primeiro tópico assim como minha primeira postagem neste fórum, portanto vocês devem imaginar que esta é a razão principal para eu ter me inscrito no site. Eu sei que pela mente de alguns de você deve estar passando a pergunta “Mas porque esse cara resolveu fazer uma análise de um jogo que já saiu há dois anos?”. Bem, várias razões! A primeira delas é que após vasculhar pela internet, principalmente nos fóruns brasileiros, eu obtive a impressão de que existe certa desinformação sobre os reais motivos para a reação negativa sofrida pelo jogo; outra razão seria o fato de que, após ter visto tantos debates sobre a catástrofe que é a estória de Other M (por favor, me escutem até o final, eu mostrarei meus motivos), postar minha própria análise sobre o tema seria um bom método para finalmente desabafar e entrar em termos com a realidade; por último, gostaria de, com este artigo, deixar claro de uma vez por todas para os defensores do jogo (ou pelo menos os que acompanham este fórum) que, enquanto eles são livres para gostar do jogo pelos motivos que lhes convirem, o ódio em relação ao jogo também não é injustificado. Eu tenho minhas razões e pretendo demonstrá-las.

    Esta análise será relativa apenas à estória, portando não esperem opiniões sobre o gameplay de nenhum dos jogos mencionados. Inicialmente farei um resumo do enredo de cada jogo da série na ordem em que se situam na cronologia, com exceção de Metroid Prime: Hunters e Other M. Em seguida farei uma análise dos pontos do roteiro deste último que considero mais importantes, ressaltando quais os problemas presentes.

    Significados:  
    Vermelho: informações importantes para a caracterização de Samus
                         Verde: momentos em que Other M contradiz outros Metroids
                        Azul: momentos em que Other M contradiz a si mesmo
                        Roxo: passagens em que estou sendo sarcástico, porque nós sabemos a facilidade com que a internet distorce o que dizemos.

    Como vocês devem imaginar, TEM SPOILER PRA CARAMBA!!Sendo assim, vamos ao que importa.

    Metroid (Zero Mission)

    Spoiler:
    Este jogo retrata a primeira missão de Samus contra os Space Pirates, retornando ao planeta Zebes,onde antes havia morado junto aos Chozo, criaturas antropomórficas similares a pássaros, que deram a Samus parte de seu DNA, permitindo assim que ela sobrevivesse ao ambiente hostil do planeta, e ainda lhe deram a Power Suit quando ela se tornou uma guerreira adulta.

    Neste jogo, Samus enfrenta pela primeira vez o vilão Ridley, e o reduz a nada mais que cinzas. Após finalizar Mother Brain e a base dos Space Pirates antes que ela explodisse, Samus chega à sua nave e parte do planeta. Julgando-se segura, ela tira sua Power Suit. Ao ser atacada por uma esquadra de Space Pirates, Samus é forçada então a atravessar a base inimiga para chegar até Chozo Ruins, onde ela poderia obter sua armadura de volta. Ela estava armada apenas com uma pistola paralisante, protegida apenas pela Zero Suit e sozinha, tendo como opção apenas invadir a base lotada de inimigos que queriam sua cabeça, ou morrer lá mesmo. Samus invade a base, chega até Chozodia, recupera sua armadura, chuta a bunda de uma versão robótica de Ridley e escapa do planeta.

    Metroid Prime.

    Spoiler:
    Após interceptar um sinal de socorro desconhecido, Samus aporta em uma estação espacial orbitando o Planeta Tallon 4. Logo ela descobre que se trata de uma estação dos Space Pirates, onde se realizavam experimentos com formas de vida do planeta, mas alguma coisa havia dado errado e a estação estava um caos. Lá, a caçadora enfrenta a Parasite Queen, um imenso insetóide, que ao ser derrotado dispara a sequência de autodestruição. Durante a fuga, Samus se depara novamente com Ridley, agora protegido por uma armadura de metal por todo o corpo. Ela não se desespera, nem demonstra o menor sinal de medo.

    Depois de fugir da estação e perseguir Meta-Ridley, Samus pousa no planeta, onde começa a investigar o local. Lá ela descobre ruínas onde antes moravam os Chozo, e através dos relatos deixados por eles, ela descobre sobre um impacto de um meteoro ocorrido décadas antes, que espalhou pelo planeta algo conhecido como “O grande veneno” (Phazon), e uma criatura conhecida como “O verme” (Metroid Prime), que vivia dentro do meteoro se alimentado do grande veneno. Esta teria sido a causa da ruína e fuga dos Chozo. Antes de fugir, contudo, eles construíram um templo (The Cradle), responsável por impedir que o phazon se espalhasse mais ainda pelo planeta.

    Depois de destruir os experimentos dos Space Pirates com phazon em Tallon 4, Samus se prepara para se infiltrar no Cradle e por fim ao Metroid Prime, mas não sem antes chutar mais uma vez a bunda de Ridley. Ela, então se infiltra na cratera do impacto e destrói Metroid Prime. Com a cratera entrando em colapso, Samus foge, chama por sua nave e a bordo dela observa pela última vez o tempo se destruindo. Ela então retira o capacete e observa, e nesse momento é possível ver em seu rosto a expressão de tristeza ao ver o local que antes os Chozo chamaram de lar ser deixado em ruínas.

    Metroid Prime 2: Echoes


    Spoiler:
    Echoes começa 6 meses após os eventos de Prime 1. Samus recebe a missão de descobrir o paradeiro do Time Bravo, da Federação Galáctica, que desapareceu durante uma expedição ao planeta Aether. Chegando lá, sua nave é danificada por uma tempestade de raios e entrar na função de autorreparo assim que pousa. Explorando o ambiente, Samus chega ao local do pouso do time Bravo e encontra todos os soldados mortos. Examinando os arquivos ela descobre que eles foram atacados por estranhas criaturas. Então ela se abaixa sobre o corpo de um dos soldados e fecha seus olhos paralisados.

    Examinando mais o planeta ela dá de encontro com uma criatura muito similar à sua própria aparência de armadura. É seu primeiro encontro com Dark Samus. Após adentrar uma estranha dimensão perseguindo DS, Samus é atacada pelas mesmas criaturas que mataram os soldados, e com dificuldade consegue fugir. Logo ela encontra com uma criatura chamada U-Mos, da raça dos Luminoth, habitantes originais do planeta, que pede sua ajuda e lhe explica que décadas antes um meteoro similar ao de Tallon 4 caiu em Aether, dividindo o planeta em duas dimensões, Os habitantes de Dark Aether, os Ing, atacaram os luminoth sem piedade, e a guerra se iniciou.

    Vale mencionar o seguinte: uma vez descoberto o paradeiro do Time Bravo, Samus havia cumprido sua missão. Ela poderia voltar para sua nave, esperar que esta se consertasse e então deixar o planeta para reportar à federação. Ela não tinha a menor obrigação ou necessidade de ajudar os luminoth. Mas ela fica, os ajuda e vence uma guerra por eles, salvando esta raça da aniquilação completa e ainda tem tempo para derrotar Dark Samus 3 vezes. Não sei quando a vocês, mas pra mim este é um indicativo de solidariedade e autossacrifício.
    Metroid Prime 3: Corruption.

    Spoiler:
    6 meses após os eventos de Echoes, Samus é chamada pela Federação para se apresentar na nave G.F.S. Olympus. Lá ela se reúne com o almirante Castor Dane e mais três caçadores de recompensa, Rundas (que possui a habilidade de criar e manipular gelo), Ghor (ciborg veterano, capaz de se fundir a outras estruturas robóticas) e Gandrayda (que pode assumir a forma de outras criaturas, e é especializada em missões de espionagem e, aparentemente , velha conhecida de Samus).

    Lá eles recebem a informação de que as Aurora Units, supercomputadores orgânicos essenciais para a GF, foram vítimas de um ataque viral efetuado pelos Space Pirates e que a missão deles é levar uma vacina contra o vírus a cada uma das unidades infectadas. Assim que os SP iniciam um ataque à Olympus, Samus recebe a ordem de ir até o planeta Norion para reativar os escudos de defesa planetária. Lá chegando, Ela religa os reatores do escudo e se prepara para ir até a sala de comando reativar o sistema, mas não sem antes participar de mais uma luta contra Meta-Ridley. Em uma queda livre de 10000 pés, alias. Após humilhar Ridley novamente, Samus é salva da queda por Rundas. Na sala de comando, os quatro caçadores são atacados por Dark Samus, que os derrubar com uma rajada de phazon, deixando o local logo em seguida, enquanto Samus religa os escudos de defesa, pouco antes de perder a consciência.

    Bem, só pelo que descrevi até agora vocês devem ter percebido que MP3 é mais carregado no enredo do que o padrão da série, certo? Tentarei não me prolongar além do necessário.

    Ao acordar um mês depois, Samus é informada que, graças ao ataque de DS, ela e os outros caçadores adquiriram a capacidade de produzir phazon em seus corpos e, com o auxílio do PED (Phazon Enhacement Device), utiliza-lo para entrar em hypermode, um modo onde suas habilidades seriam exponencialmente aumentadas. Não demora muito para que ela descubra, contudo, que se abusasse deste poder poderia sucumbir à corrupção por phazon e ficar completamente sob o controle de DS.

    Informada de que outros planetas haviam sido atingidos por meteoros deste  elemento, Samus se dirige ao planeta Bryyo, onde deveria procurar por Rundas. Ao encontra-lo, descobre que ele havia sido tomado pela corrupção e se vê obrigada a enfrentá-lo. Ao derrotá-lo, Rundas parece ficar confuso por um momento, e estacas de gelo se formam atravessando-o. Uma coisa que gostaria de mencionar é que existem teorias de que o próprio Rundas, num momento de lucidez, teria se matado para evitar ser controlado novamente pela corrupção. Samus então vê a figura de Dark Samus aparecer e absorver o corpo de seu colega.

    Para sua tristeza, estes eventos viriam a se repetir. Ao aportar em Elysia, outro planeta onde os Chozo residiram séculos antes, a caçadora é obrigada a enfrentar Ghor. Ao ver novamente o vulto de DS, Samus tentar atirar contra ela, sem efeito. Impotente por não poder impedir a morte de outro colega, Samus fecha seu punho com força, numa expressão de revolta. Após libertar Elysia da contaminação, ela recebe a ordem de se dirigir ao planeta natal dos Space Pirates, onde havia mais um meteoro, e onde ela deveria encontrar Gandrayda. Lembrando: Samus recebe a ordem de se infiltrar num planeta onde praticamente todos os habitantes querem sua cabeça num prato, e aceita. Por que ela faria algo tão arriscado? Porque ela pode, ela tem confiança suficiente na própria competência para encarar uma tarefa desse nível. Lá ela encontra Gandrayda, disfarçada como um GF Trooper. Isto era parte de um plano para emboscar Samus, já que a outra se encontrava tomada pela corrupção. Ao escapar da armadilha e derrotar Gandrayda, Samus vê a amiga caída e então vira o rosto para não vê-la morrer.

    Livrados os três mundos da contaminação por phazon (e Ridley reduzido a cinzas pela segunda vez no mesmo jogo!), uma das Aurora Units avisa Samus que a federação encontrou a origem dos meteoros, um distante planeta chamado Phaaze. Tomando controle de um dos dispositivos dos SP, usado para controlar a habilidade de criar Wormholes dos meteoros de phazon (o nome é leviatan, não mencionei antes, mas eles são criaturas vivas também) , ela e uma frota da GF seguem em direção ao planeta para um ataque massiço. Enquanto a Federação e os piratas lutam na órbita, Samus desce até Phaaze, e lá tem seu último confronto com Dark Samus. Ao destruí-la, o planeta entra em colapso, explodindo por completo enquanto Samus e a federação batem em retirada.

    Com Phaaze destruído, Samus e o resto do universo livres da corrupção, ela tem tempo para relaxar e em fim refletir sobre os últimos eventos e, principalmente, os colegas que perdeu.

    NOTA; É importante mencionar o seguinte: embora não tenha atuado diretamente no desenvolvimento da trilogia Prime, Yoshio Sakamoto atuou como consultor para a equipe responsável. Retro Studios enviava á ele cópias do enredo de todos os games para que Sakamoto conferisse se todos os detalhes do enredo estavam de acordo com os eventos da cronologia e de outros jogos da série.

    Metroid II: Return of Samus

    Spoiler:
    A Federação decidiu que os metroids são um grande risco à galáxia, portanto é melhor que eles sejam exterminados. E quem melhor para o serviço que Samus Aran?

    Pousando no planeta SR388, Samus empreende sua missão de exterminar a espécie por completo, para evitar que os Space Pirates tentassem usá-los novamente. Tendo sucesso em sua missão, culminando com a destruição da rainha Metroid, ela se prepara para fugir do planeta, quando se depara com um ovo. Dele eclode uma larva de metroid. Samus poderia ter destruído a larva naquele mesmo momento, mas decide poupá-la. Por que? Não se sabe. Ela então leva o Metroid consigo em sua nave.

    Super Metroid

    Spoiler:
    Super Metroid começa com um breve monólogo de Samus relatando os eventos dos 2 primeiros jogos lançados. Ao citar sua missão de erradicar os metroids ela afirma “Eu erradiquei a todos, exceto por uma larva, que ao nascer me seguiu como uma criança confusa. Eu pessoalmente entreguei-a para a Estação de Pesquisas em Ceres, para que os cientistas pudessem estudar suas capacidades de produção de energia.”. Contudo, antes que pudesse descansar e finalmente assistir Cidadão Kane, Samus recebe um sinal de alerta: a estação estava sob ataque!

    Ao chegar lá, a caçadora dá de encontro com Ridley (é, de novo!), que após uma batalha escapa com o filhote de metroid em mãos. Ela então os persegue até Zebes, onde os Piratas haviam reconstruído sua base.

    Agora uma pausa para que se perguntem comigo: quais as razões para Samus ter poupado a vida do filhote de Metroid? Teria ela tido naquele momento um breve momento de compaixão, após ter exterminado por completo a espécie? Teria ela simplesmente pensado “Sabe, isto pode ser útil para a Federação”? Esta é a incógnita principal de Metroid II e SM. Não sabemos os motivos da guerreira, cabe a nós presumir suas razões.

    Após devastar a base e ganhar acesso a Tourian, o último nível, Samus tem um breve encontro com o bebê metroid, agora em versão Michael Clarke Duncan, que a ataca, mas logo a reconhece. Chegando finalmente até Mother Brain, Samus enfrenta uma dura batalha, mas quando a criatura se prepara para matá-la, o pequeno metroid interfere e a salva, estonteando Mother Brain e recuperando a energia da caçadora, mas morrendo em seguida por conta dos ataques sofridos ao protegê-la, resultando num dos momentos mais marcantes dos games. Munida agora com a Hyperbeam, Samus oblitera o monstro e foge da base, enquanto esta se destrói, levando consigo o planeta Zebes.

    Metroid Fusion

    Spoiler:
    Anos após o incidente em Zebes, Samus recebe a missão de escoltar um grupo de cientistas ao planeta SR388. Durante a missão ela é atacada por uma estranha criatura. Tudo procede normalmente, até que, durante o retorno a base, Samus perde a consciência e quase morre. Resgatada pelos médicos da Federação, lá se descobre que a criatura que a atacou (Parasita X) está integrado a seu sistema nervoso, pondo em risco sua vida. Contudo, é descoberta uma cura, baseada nas células do infante metroid (uma vez que os  metroids eram o predador natural do parasita X), e que é injetada imediatamente na caçadora, exterminando o parasita. Atenção agora para as frases em que Samus menciona o metroid:

    Ao que parece a Federação conseguiu preservar uma amostra das células do infente metroid de SR388

    Ponderando sobre o fato, percebi que devia minha vida duas vezes à larva de metroid” (Em inglês ela diz “hatchling” que não tem uma tradução precisa, mas significa basicamente o que acaba de eclodir, nascer de um ovo.)

    Após se recuperar, e munida agora da Fusion Suit, Samus é mandada para investigar um acidente na estação espacial B.S.L., atuando sob as ordens de um computador de bordo. Ela menciona que, apesar de não gostar de receber ordens, é a segunda vez que se vê nesta condição (não é mencionado se é a segunda vez como caçadora de recompensas ou a segunda vez em toda a sua vida).

    Chegando lá, eles descobrem a causa do acidente: o parasita X tomou conta da estação e está afetando seu funcionamento. Samus comenta que receber ordens do computador a fez relembrar de seu CO dos tempos da Federação, Adam Malkovitch, que costumava tratá-la por “Lady” (senhorita), de um modo que soava respeitoso. Adam terminava suas ordens perguntando “Any objections, Lady?”, não para questionar se Samus discordava, mas apenas para enfatizar a confiança presente entre ambos. Não por respeito e com certa ironia, ela apelida o computador de “Adam”. Conforme progride na estação, Samus descobre que X é capaz de absorver e replicar não só o corpo de suas vítimas, mas também memórias e conhecimento e havia inclusive replicado as funções de sua armadura, através das peças que foram removidas e mandadas para a estação, dando origem a uma criatura que caçaria Samus por todo o jogo, o SA-X.

    Após derrotar um dos chefes do jogo e recuperar a wave beam, Samus adentra um setor da estação e faz uma descoberta que não deveria: a Federação utilizava a estação para reproduzir metroids. SA-X aparece e tenta destruir os metroids, levando aquele setor da estação a ser desprendido do resto e destruído. Ao se encontrar com “Adam”, este lhe explica que aquele era um projeto secreto da Federação e presume que Samus já suspeitasse disto, após ver que um dos setores da nave era uma recriação perfeita do ecossistema de SR388.

    Este é um ponto muito importante. Neste diálogo, Metroid Fusion estabelece que, para que se obtenha um ciclo de crescimento de metroid que resulte numa versão Omega, ou mesmo numa rainha, é preciso utilizar o ecossistema encontrado apenas em SR388, ou reproduzi-lo artificialmente. Esta informação será importante mais tarde.

    Algum tempo depois, o computador dá a Samus a ordem de se retirar da estação, pois a Federação cuidaria do resto, inclusive de capturar o X e SA-X, que julgar ter um grande potencial. Samus atenta para o perigo da situação, pois o X estaria apenas esperando a chegada dos pesquisadores da GF, para absorver seus conhecimentos e consequentemente partir para dominar toda a população da galáxia. Ela afirma que precisa usar o sistema de autodestruição da estação, mesmo que isto implicasse em sua própria morte. Ao chamar o computador de “Adam”, este começa a interrogar sobre o verdadeiro Adam, e menciona-se que Adam teria feito um sacrifício pela vida de Samus. Então o computador dá a ela a missão de redirecionar o curso da estação para rota de colisão com SR388, afirmando que assim seria possível aniquilar completamente o parasita X, e termina a ordem dizendo: “Any objections, Lady?”.

    Samus então ruma para a sala de operações, onde poderia mudar o curso da estação. Antes de chegar lá, contudo, é interceptada por um SA-X, a quem derrota, mas não consegue destruir. Após executar a ordem, ela se dirige para sua nave, quando é atacada por um Omega Metroid. Pressentindo o predador, o SA-X ataca, mas é rapidamente eliminado. Samus absorve o núcleo do SA-X e recupera sua Power Suit, conseguindo assim derrotar o metroid e fugir, enquanto a estação colide com o planeta, eliminando para sempre a ameaça do parasita X.

    Qual o sentido disto tudo?

    Agora creio que alguns se perguntem “Qual o sentido de fazer um resumo destes jogos?”. Bem, muitas pessoas acreditam que a escassez de informações sobre o passado de Samus, assim como de diálogos por parte da personagem, é um indicativo de que ela não teria uma personalidade, uma caracterização distinguível que denotasse traços de uma figura mais humana.

    Mas não é algo tão simples, certo? Lembro-me que certa vez alguém questionou o seguinte: só porque uma pessoa é muda e não sabe se comunicar por sinais, você diria que ela é desprovida de emoções ou de personalidade? Outras pessoas, como eu, acreditam que as ações também definem um personagem, e Samus sempre se saiu muito bem neste sentido. Não só suas ações, mas também sua expressão corporal exibida em vários jogos ajudam a criar uma imagem maior que a de uma simples Bad-ass sem personalidade ou emoções, mas a de um ser humano.

    Ao longo do tempo admitimos Samus como sendo uma mulher independente, forte e corajosa (aposto que ela come acarajé!), mas podemos ainda discenir outras características: afeição e gratidão por aqueles que a criaram depois da morte de seus pais, respeito por aqueles que dão a vida pelo dever, solidariedade em assumir responsabilidades que sequer dizem respeito a ela, revolta por perder pessoas que ela admira ou valoriza, ou mesmo partilha amizade, compaixão, mesmo que em raras ocasiões e , uma de suas qualidade mais admiráveis, a noção de que é preciso fazer sacrifícios para se preservar um bem maior.

    Agora me digam: é possível afirmar que uma pessoa assim seria uma guerreira robótica sem emoções?

    Metroid: Other M

    1- Problemas gerais


    Gostaria antes de discutir os problemas gerais da narrativa de Other M, aqueles que se referem à estrutura da estória e a roteirizarão.
    Desde já, quero deixar claro uma coisa: qualidade de gameplay é algo bastante subjetivo, que varia de pessoa para pessoa, portanto se você gosta do gameplay de Other M, tudo bem, você é livre para apreciá-lo, mas se você gosta da estória de Other M, então eu tenho que questionar fortemente seus parâmetros de qualidade ou mesmo o quando do enredo e diálogos você foi capaz de entender. A estória de M:OM é ruim, e isto sequer é uma questão subjetiva, pois o enredo deste jogo não se sustenta frente a uma análise crítica.

    Uma das falhas mais nítidas no enredo de M:OM é o excesso de exposição. Uma das regras principais da construção de uma estória, especialmente em uma mídia como filmes ou videogames é “MOSTRE, não conte”. Isto significa que um evento da trama tem um efeito muito mais forte quando é testemunhado pelo espectador do que simplesmente relatada para ele. Imagine que ao invés de presenciar a morte de Aeris em Final Fantasy VII, o jogador simplesmente fosse informado por um NPC que a garota foi morta? O evento perderia quase todo seu impacto, se não todo.

    Mas em Other M, quase todos os pontos do enredo são descritos por algum personagem, normalmente Samus, em longas sessões de exposição frequentemente redundantes. Em certos pontos o jogo perde a possibilidade de demonstrar interação real entre os personagens, para deixar que Samus descreva o ocorrido, não deixando que o espectador faça sua leitura das figuras que compõem a cena. Não demora para que este tipo de narrativa comece a contradizer o que é visto no jogo, por exemplo: Samus descreve Adam durante todo o jogo como sendo uma figura paterna para ela, a pessoa que a compreendia melhor, mas em momento algum do jogo o expectador pode comprovar isto. Adam a trata com frieza durante todo o jogo, isto quando não a deixa sofrer punição física, como na sessão hoje conhecida como Hell Run.

    Outro problema grave do enredo, e este tenho certeza que muitos de vocês notaram, é que a trama principal de M:OM é reciclada do enredo de Metroid Fusion. Por si só este fator já torna ambos supérfluos, uma vez que Other M deveria abrir caminho e explicar os eventos de Fusion, mas termina por entregar os principais eventos do jogo, incluindo a conspiração envolvendo o desenvolvimento de metroids, o que nos deixa com uma dúvida em mente: porque Samus ou a Federação aceitariam trabalhar juntas em Fusion, sabendo que meses antes a última havia cometido os mesmos erros, culminando com a destruição de bilhões em equipamento e pesquisa pelas mãos da caçadora? Porque Samus aceitaria trabalhar novamente com a Federação sabendo o quão corrupta esta é?

    Por último, existe o problema das subtramas que ganham grande importância no enredo e são descartadas sem a devida conclusão, mas isto é algo do qual falarei na análise dos eventos de M:OM.
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    Última edição por Goukeban em Seg 17 Fev 2014, 22:44, editado 13 vez(es)
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    Re: Uma análise da estória de Metroid Other M

    Mensagem por Goukeban em Dom 04 Nov 2012, 17:33

    2- Do começo ao exasperador fim! [/size]

    The Baby

    O jogo começa com uma recriação da icônica luta contra Mother Brain, a partir do momento em que o metroid salva Samus. Ela olha em volta e diz: “The baby?”...ok... , então, o metroid é morto, Samus ergue a mão em sua direção, ele explode a uma partícula cai na mão da caçadora. Ela então lembra que M.Brain está lá ainda e continua a luta. Cortando para uma estação da GF, Temos uma breve sequência de tutoriais e logo após, Samus começa se primeiro de muitos monólogos:

    None of the Baby remained on me” Ok
    Never again would I encounter the Baby” Entendemos.
    Never” Sim, mudando de assunto...?
    The finality of it struck me once again” Ah, cale a boca!!

    Eu digo que isto contradiz outros jogos porque a intenção desses diálogos é “reescrever” a relação entre Samus e o infante metroid, como foi apresentada em Super Metroid, dando assim a impressão de que havia realmente uma conexão maternal entre a caçadora e a criatura. O problema é que não havia: Samus nunca chamou a criatura por “Baby”, ou demonstrou algum sentimento por ela além do breve momento de compaixão no fim de Metroid II. Então, nos primeiros 10 minutos de cutscene, o M:OM já desrespeita completamente o que Super Metroid estabeleceu, e se dispõe a tentar reescrever o enredo de um dos jogos mais aclamados de toda a 4ª geração e presença frequente entre os 100 melhores de todos os tempos.

    Já em sua nave, Samus intercepta um sinal de socorro de codinome “Baby’s Cry” (e se prepare, porque daqui pra frente as referências à maternidade só pioram) e solta uma das piores frases do jogo:

    O nome vem do fato de que o propósito do sinal é chamar atenção” Jura? Quer dizer que todos aqueles pedidos de socorro que eu recebo não são pra me convidar pro chá das cinco?

    A incrível tapeçaria de estupidez

    Seguindo o sinal ela chega até uma estação de pesquisa denominada BOTTLE SHIP. (hein, você viu? Bottle, como uma mamadeira de um bebê, viu?), onde ela aporta ,e por alguma razão sua nave produz o som de pneus derrapando, e lá, depois de um slowmotion bem desnecessário, dá de encontro com o Platoon 07, um grupo de soldados da GF. Nessa cena somos apresentados ao sempre popular Anthony, que trata Samus por Princess (é um sinal de alerta quando o personagem mais querido da sua estória é o estereótipo do coadjuvante negro!), e Adam Malkovitch, comandante do grupo. Samus pergunta o que eles fazem lá, e Adam responde, com toda a gentileza de um cachorro quando tentam lhe tirar o osso da boca:

    Essa informação não é para um intruso” Apenas diga que interceptaram o sinal, seu escroto!

    Como o grupo não consegue abrir a porta de entrada, Anthony dá a dica de que eles precisem de um pouco de “força concentrada”. Samus atira um míssil na porta, abrindo-a. O grupo entra, mas Adam, Antes de ir, joga um olhar de reprovação para a garota. Sim, senhores, ele é babaca o suficiente para mandar um olhar de “Não faça de novo” para a mulher que lhes economizou horas de trabalho! Estranhamente, na sessão de gameplay seguinte, Samus decide não usar bombas ou mísseis antes de Adam autorizar. Porque será? Ah sim: para demonstrar que Samus está se colocando voluntariamente sob o comando de Adam. Não era esta a mesma mulher que disse claramente não gostar de receber ordens?

    Chegando a sala de controle, eles encontram um corpo, e debaixo dele sai um inseto. Um dos soldados (Lyle) dá um chilique chuta e metralha (muito) o bicho, exatamente como os militares de verdade fazem. Logo uma horda de insetos se junta para forma o chefe inicial de design mais insípido que eu já vi em um metroid! Ah, nessa luta Adam te autoriza a usar mísseis, o que prova que ele é vidente, porque SAMUS NÃO LHE CONTOU QUE HAVIA DECIDIDO NÃO USÁ-LOS!

    Após derrotar o chefe, Adam diz a Samus que aparentemente eles precisarão da ajuda dela, mas ela terá que seguir os conselhos dele, e diz:

    Você não se move enquanto eu não mandar, você não atira enquanto eu não mandar” Eu gosto de imaginar que depois disso Samus atira na arma dele e a manda pelos ares, mas isto não acontece.

    Daí vem um flashback, onde Samus comenta dos tempos em que era uma oficial da Federação, assim como sua relação com Adam. Ela afirma que ele não era do tipo que fazia piadas durante reuniões, mas quando terminava as sessões dizendo “Any objections, lady”, ele estava brincando. Claro, não é como se ele estivesse chamando a atenção para o seu gênero em frente a um grupo quase inteiramente formado por homens, de um modo que te ridicularizasse em frente a eles. Essa cena toma a frase utilizada em Fusion como forma de confirmar a relação de confiança mútua entre superior e subordinado e a transforma numa piada, feita por uma figura masculina para ridicularizar uma pessoa mais jovem e menos influente.

    O flashback procede e Samus afirma que, uma vez que perdeu seus pais ainda muito jovem, não haveria razão para que ela não ver Adam como uma figura paternal. Sim senhores, Other M ignora completamente a figura dos Chozo e desconsidera que estes criaram Samus desde que esta perdeu seus pais, modificaram seu DNA de forma que ela pudesse suportar o ambiente hostil de Zebes e lhe deram a armadura de combate mais poderosa de todo o universo conhecido da série.

    Ela ainda relembra que era costume dos soldados da Federação dar o sinal thumbs up (o "joinha") ao final das instruções, significando o entendimento da missão, mas que ela dava o sinal thumbs down, em sinal de reprovação por ser chamada de "lady". Esse tipo de subversão não é punida entre os militares?

    Inconsistências narrativas a parte, ainda é notável como os monólogos deste trecho tornam difícil captar a natureza da relação entre Adam e Samus. Partindo da suposta resistência a uma presença feminina por parte de seus colegas na tropa, para a formação de uma conexão emocional entre ela e seu superior, esta cena falha miseravelmente em tornar os sentimentos “expressados” algo identificável ou simpatético.

    Voltando ao presente tormento, Adam está explicando a situação a seus soldados, todos em fila, com Samus logo atrás deles. Segundo ele, é preciso conseguir toda a informação necessária, mas a prioridade é procurar sobreviventes e garantir sua segurança. Ele então dá a cada soldado um objetivo diferente, que eles deveriam se separar para cumprir. Espera, porque ordenar aos soldados que se separem, quando ele sabe que a instalação é tomada por criaturas perigosas, uma das quais quase matou o esquadrão a poucos minutos? Todos, exceto Samus, são autorizados a usar pistolas congelantes (que eles usaram inclusive contra o monstro pouco antes), e Anthony inclusive pode usar sua arma de plasma. Os sistemas de comunicação da tropa estão com interferência, portanto eles devem usar salas de navegação para manter contato, mas os da armadura de Samus funcionam perfeitamente, tanto que Adam ainda afirma:

    Tudo que você vir aparecerá também nesta tela” Vocês tem ideia da quantidade de furos de roteiro que esta frase cria?

    Ele explica então que continuará a estudar a possibilidade de autorizar Samus a usar suas armas, mas que não há planos para autorizar o uso de Power Bombs, já que estas podem causar grandes danos materiais e vaporizar humanos instantaneamente. E só. O que Adam quer dizer é simples: ele não acredita que Samus tenha conhecimento e responsabilidade suficientes sobre como e quando usar o armamento que ela vem utilizando por anos desde que vem atuando como caçadora de recompensas. Pode parecer exagero, mas lembrem-se: Other M é o oitavo jogo na cronologia da série, não há razão para Adam subestimar Samus desta forma depois de tudo que ela conquistou no universo da série. A mutua confiança mencionada em Fusion é completamente negada neste jogo.

    Há aqueles que argumentam que Samus, por estar agindo sob o comando de um militar, teria que seguir ordens desse tipo para ser aceita na operação, pois em batalha soldados devem agir sob o comando de um superior. Quem usa este argumento possivelmente nunca conheceu alguém que tenha cumprido ou esteja no serviço militar. Qualquer pessoa que tenha feito ou faça parte do serviço militar lhe dirá que mesmo soldados rasos têm certo nível de autonomia, quando em campo, para decidir que equipamento utilizar em determinada situação. Samus sequer está oficialmente sob o comando de Adam.

    Assim que os soldados saem, Samus monologa sobre esta ser a primeira vez que ela participa de uma missão conjunta desde que se tornou uma caçadora de recompensas independente, o que é a maneira “sutil” de Other M dizer que Metroid Prime 3: Corruption nunca aconteceu e que Rundas, Ghor e Gandrayda não são ninguém importante.

    Continuidade é para os fracos

    Após uma porção de gameplay, Samus encontra uma pequena criatura Pokémon, brincando de ser idiota em frente à câmera. Mais tarde, após um luta contra um chefe, ela encontra a criatura novamente. Adam lhe ordena que se reúna com o resto dos Red Shirts no centro de testes da Biosfera (pra quem não sabe, a BOTTLE SHIP possui setores que recriam determinados ecossistemas) e ela obedece, deixando o Pokémon para trás, vivo. Eu aposto minhas fichas que isto não causará nenhum problema futuro, e vocês?

    Chegando lá, ela vê James (um dos soldados) mexendo em um computador. Quando os outros chegam, James pergunta por Lyle, que está atrasado. Bem, deve estar surtando com algum inseto de novo. Outro oficial, Maurice, começa a mexer no computador, dizendo que pode extrair alguma informação. Anthony diz aos outros para continuarem investigando a área enquanto Maurice trabalha. Samus encontra uma sala com 6 portas e de trás de uma delas cai uma criatura, ao que Samus responde:

    “Adam, você está vendo isto? É um Zebesian” Não, Samus, é um Space Pirate.

    O propósito de chamar a criatura de zebesian é, mais uma vez, ignorar o que foi mostrado em MP3: Corruption, onde foi revelado o planeta natal da espécie. Nenhum dos jogos anteriores ou mesmo os manuais sequer sugere que Zebes fosse algo além de uma fortaleza para os Space Pirates. Além do mais, Samus foi criada em Zebes, vivendo junto aos Chozo, que lá desenvolveram uma sociedade, que posteriormente seria tomada pelos piratas, portando Other M contradiz Zero Mission e Super Metroid no processo.

    Ao reunirem-se com Maurice, eles leem um documento especificando que a Federação comandava experimentos na BOTTLE SHIP, utilizando formas de vida com potencial para se ternarem bioarmas. Samus então questiona Adam se ele sabia do que estava ocorrendo lá, já que o uso de bioarmas é proibido pela GF. A pessoa responsável pelas operações na instalação seria, segundo o documento, Madeline Bergman. O grupo então se dispersa para procurar por ela, mas eu não sei por que diabos eles acreditariam que ela estivesse naquele mesmo prédio, e após um pedaço de gameplay, vemos Samus andando por uma sala, quando algo cai no chão atrás dela. Ao olhar par o teto, ela vê um grupo de Space Pirates, que ela deve destruir sozinha, porque Adam fechou a porta impedindo seus homens de entrar.

    De volta à sala de controle, ela observa os soldados lá fora lutando contra uma criatura similar a um lagarto (eu diria que seu design é 80% nostálgico!), ao que ela reage correndo para fora, ao invés de quebrar o vidro, o que seria muito mais fácil, possibilitando que a criatura a ataque e prenda ao chão. Após Samus ser salva por Anthony (que usa uma arma de plasma, vale lembrar), a criatura (vamos chamá-lo de Eugene, eu gosto desse nome) foge, quebrando uma das paredes holográficas e penetra a Setor 3.

    Todos estão aparentemente bem, mas um deles descobre o corpo de Lyle. Pobre Lyle, não deve ter aguentado a pressão de encontrar uma barata! Seguindo uma trilha de sangue verde partindo do corpo, Samus encontra o pequeno Pokémon de antes, mas apenas como uma casca vazia. Meu Deus, isto significa que Eugene era o Pokemon!! DAN DAN DAAAAAN!

    Hell Run

    Recebendo ordens para seguir Eugene, Samus parte para o setor 3, a pirosfera.e aqui temos um dos momentos marcantes de Other M: como alguns de vocês devem saber, o setor 3 é a pirosfera, a recriação de um ambiente tomada por lava, dentro da BOTTLE SHIP. Durante o gameplay, você passa por várias sessões da área constantemente recebendo dano, até encontrar o primeiro chefe do setor, momento em que Adam finalmente autoriza o uso da Varia Suit, equipamento responsável por proteger Samus em locais de alta temperatura. Resumindo, o tempo todo que ela passou torrando na atmosfera ultraquente do local ela tinha o equipamento para evitar isto!

    Vamos deixar bem claro: Adam especificou no inicio do jogo que estudaria a autorização do uso das armas de Samus, dando explicação apenas sobre as power bombs. Isto seria uma forma de evitar que Samus, que segundo Adam não consegue controlar todo o poder de fogo que carrega, viesse a ferir algum provável sobrevivente, mas ele lhe tira tudo: grapple beam, varia suit, gravity suit, space jump, etc, Itens como Varia e Gravity Suit são exclusivamente usados para defesa, Grapple Beam e Space Jump são itens que melhoram a mobilidade de Samus e não oferecem riscos ao grupo Não há nenhuma razão para acreditar que qualquer uma destas funções oferecesse risco à operação.

    Ah, lembram-se que eu mencionei antes que os homens do grupo estavam autorizados a usar freeze guns, mas não Samus? Pois é, eles também já dispunham de proteção contra calor desde o início do jogo. Isto porque, ao dividir o grupo no inicio do jogo, Adam enviou Anthony para o setor 3.

    FUCK!!

    Deleter

    Em fim, passado algum tempo, Samus recebe a ordem de ir até a criosfera onde ela deve procurar por sobreviventes. Ao chegar lá, Samus observa uma criatura morta, e afirma que ela tinha sinais de ataque de metroids, apesar de não estar cinzenta e calcificada como mostrado em Super Metroid, mas que aquilo seria impossível, uma vez que metroids não sobrevivem em temperaturas abaixo de zero.

    Mais a frente, Samus encontra o corpo de um dos soldados, Maurice (Adam, você esta vendo isto?). Sentindo estar sendo observada, ela se vira para uma estrutura próxima e vê uma mulher loira através da janela. A mulher começa a fugir enquanto Samus a segue. A caçadora a pede que pare, dizendo que está lá para resgatá-la, mas a mulher a ordena que fique longe, pois sabe que a Federação quer eliminar quem sabe sobre a BOTTLE SHIP. Ela então diz:

    Como posso confiar em você quando seus soldados estão dispostos a matar uns aos outros.Adam, você está ouvindo isto?

    É mostrado um flashback do que a mulher viu, onde um dos soldados de Adam aparece ao longe atirando em Maurice. Ao finalmente chegar até a mulher, Samus tenta convencê-la, quando aparece uma empilhadeira que as ataca. Samus, enquanto a mulher se refugia atrás dela, olha no cockpit da máquina e vê um dos soldados do Platoon 07 (Adam, você está no banheiro?), mas seu rosto está encoberto. A mulher foge, e após uma luta, Samus encontra o cockpit vazio. Adam finalmente se comunica e a manda que volte a procurar por Eugene no setor 3 NOVAMENTE, ignorando a ordem que deu pouco antes para que Samus procurasse por sobreviventes (??). Nenhum comentário sobre o suposto traidor.

    No caminho de volta para setor 3, Samus monologa sobre Adam e seu grupo, deduzindo que, por medo de que eles viessem a descobrir sobre as experiências com bioarmas, a Federação implantou um assassino no grupo.

    Por quê? Sério, eu gostaria de saber por que! Se os responsáveis sabiam que Adam estava a caminho da estação para terem tempo de implantar um assassino em seu grupo, esperando que este cara pudesse, sozinho, eliminar todo o grupo junto com as testemunhas, seria muito mais fácil simplesmente ordenar para que Adam não fosse, ou mesmo implantar uma bomba na nave que levou o Platoon 07 até a BOTTLE SHIP.

    Enquanto não descobrisse a identidade do traidor, Samus o chamaria por Deleter. É engraçado observar a reação de falantes naturais de língua inglesa, eles usualmente riem do quão ridículo é o nome.

    Ela então afirma que era imperativo proteger a mulher em questão, uma vez que esta pode ser atacada novamente, o que levanta a questão: se é tão importante protegê-la, porque diabos você esta indo fazer exatamente o que Adam mandou, em um setor onde obviamente ela não está? Que seja, melhor não esperar respostas deste jogo!

    Pausa pro lanche

    Gostaria agora de fazer uma pausa para comentar sobre um artigo muito interessante encontrado no site TVtropes, se chama idiot Plot (roteiro idiota). Este artigo define um tipo de enredo que consegue prosseguir na linha intencionada pelos autores apenas porque os personagens principais agem como idiotas. Um breve momento em que eles tomassem uma atitude inteligente e os problemas principais do enredo seriam resolvidos, mas eles não agem desta forma, pois isto preveniria que eventos que o autor pretende instaurar cheguem a ocorrer.

    Parece familiar pra vocês?

    Amor de irm...pffrrfr...BWAHAHAHAHAHA

    Ok, voltando para o setor 3, Samus encontra Anthony tendo problemas com uma criatura. Adam autoriza o uso de graple beam para que ela alcance Anthony. Após derrotar o monstro, ele comenta com ela que Adam ordenou que o grupo se reunisse e andasse como uma unidade, mas que, ao chegar no ponto marcado e não ver ninguém, ele decidiu andar um pouco, quando foi atacado pela criatura. Mais uma vez, exatamente como militares se comportam na realidade.

    Anthony pergunta a Samus como ela se sente em relação a Adam, o que inicia um flashback: vemos na sequencia uma nave puxando outra através de algo que eu suponho seja uma versão gigante da graple beam. É dada uma pequena dose de exposição para mostra que um tal Ian está abordo da unidade de transporte, e que “Há 300 vidas em suas mãos”. Terminada a exposição, as coisas começam a ficar dramáticas: alarmes começam a soar e um dos figurantes informa que a unidade de transporte vai explodir. Adam ordena que desengatem a unidade, mesmo com Ian ainda lá dentro. Samus reage afirmando que pode alcançá-lo e pede a Adam que lhe dê a ordem. Adam... simplesmente a ignora e continua dando ordens para descartar a unidade. Samus caminha ate sua frente e tenta argumentar, pedindo apenas uma chance para tentar salvar Ian e revelando que ele é, HOOOH, o irmão de Adam!!

    Importante notar que durante toda a sequência a coisa mais próxima a que Adam chega de esboçar qualquer emoção é o fato de demorar alguns segundos para dar a primeira ordem. Quanto a Samus, ele apenas a ignora durante toda a cena, do mesmo modo que se ignora uma criança que chora por atenção.

    Muito bem, a unidade explode, Ian morre e, de volta ao presente tormento, Samus comenta sobre como Adam estava correto, e tudo que ela pode fazer foi piorar a situação. Anthony afirma que não queria mexer numa ferida, mas logo após comenta:

    Cara, se algo desse tipo acontecesse agora...Puxa, que sutil, Anthony! Obrigado, mas eu tenho certeza que não vai!

    Terminado o foreshadowing, ele sai e se separa de Samus, o que é estranho uma vez que ficar junto a ela seria uma boa, já que existe um traidor a bordo e ela é a única com comunicadores ativos e... ah, esquece, não é como se alguém nesses jogo agisse como uma pessoa normal!

    Samus monologa que, se algo desse tipo ocorresse novamente, ela se agarraria àquela fagulha de esperança e buscaria redenção e meu Deus essa frase é piegas!

    Vamos deixar uma coisa estabelecida: como muitos de vocês devem saber cenas deste tipo, onde o herói de uma narrativa é visto em algum momento da estória presente ou de seu passado cometendo uma falha que acaba marcando sua personalidade, possivelmente com consequências trágicas, servem para preparar o terreno para um evento futuro dentro da narrativa que seja de alguma forma similar ao ocorrido anteriormente. Isto é utilizado para demonstrar o amadurecimento do personagem desde o momento de sua falha inicial, constatando que este já não é mais imaturo, covarde ou fraco como antes. Mantenham isto em mente, voltaremos ao tópico mais tarde.

    Mas e Eugene?

    Então, lembram dele, Eugene, o monstro lagarto que serviu de pretexto para Samus andar tanto pela BOTTLE SHIP? Vamos continuar procurando por ele.

    Chegando até uma grande sala escura, vemos a luz de um laser de mira apontando para Samus. O Deleter? Não, é apenas Anthony, que estava perdido e, ao invés de chamar pela atenção da caçadora, resolve apontar sua arma para ela como se fosse matá-la. Anthony é a representação perfeita de um soldado, incrível! Após Samus sair da mira do token, vemos uma grande figura negra sobrevoar a área e destruir a ponte para a saída

    Samus chega ao centro da plataforma e resolve... oh, desculpe, eu disse “resolve”, estava pensando na bad ass Samus que invade planetas inimigos e limpa o chão com a caveira de space pirates. Adam sugere a ela que destrua a porta de contenção do magma, e autoriza os supermísseis. Ela faz isto, magma começa a fluir, iluminando o local. A figura negra então se revela e é Ridley!! Isto significa que Eugene é na verdade Ridley! Eugene, eu depositava tantas expectativas em você!!

    Em fim, hora de lutar com Ridley. Ele pula na plataforma onde Samus está, ruge e ataca, mas ela desvia e num salto enfia sua arma na garganta do monstro e NÃO, NÃO,NÃO, Infelizmente isto não acontece!! O que toma lugar é uma das cenas mais vergonhosas da estória dos games: Samus congela de medo, se transforma em uma garotinha chorando em frente à câmera (é sério, isto realmente acontece na cena), é pega por Ridley e tem que ser salva por Anthony. Nesse meio tempo, Adam está em sua sala gritando para que ela use sua plasma beam. Ele se vira para o lado por um momento, e ouvimos o som de um disparo, seguido pela imagem de uma cápsula de bala caindo.

    De volta a Samus, ou Anthony, melhor dizendo, uma vez que neste caso é ele que está enfrentando o dragão de 8m, com uma arma descarregada aliás, vemos este derrubar o rapaz da plataforma, levando Samus a finalmente lembrar como se trucida dragões interplanetários. Após derrotá-lo, ela olha para ele caído no chão, mas ao invés de dar o tiro de misericórdia, ela vira as costas e se afasta. Ridley se levanta e a ataca, ela desvia e ele foge.

    Samus, em seguida, monologa como se arrepende de não ter sido capaz de proteger Anthony (inclusive quando este enfrentou Ridley e ela tinha perfeitas condições de atirar no monstro) e de ter pensando mesmo que brevemente que ele fosse o traidor, algo que seria natural para qualquer um que tivesse uma arma apontada para si!

    Porque a revolta?

    Vamos analisar o porquê de esta cena ser tão infame, começando pelos pontos mais simples.

    Lembrando que M:OM seria o 8º jogo da cronologia, teríamos os seguintes números: Samus esteve cara-a-cara com Ridley em 7 ocasiões (uma em Zero Mission, duas em Prime, Duas em MP3: Corruption e duas em Super Metroid), excluindo a versão robótica do final de Zero Mission; Destas 7 ela teria derrotado o vilão 5 vezes, e destas 5 ele teria sido comprovadamente reduzido a cinzas em 3 ocasiões.

    Se ela realmente tinha algum trauma causado por Ridley, faria sentido que esta cena tomasse lugar em Zero Mission, que seria a primeira vez em que ela enfrenta Ridley e o destrói, e considerando ainda as cutscenes exibidas em ZM, não há porque não crer que não seria possível exibir tal cena, mesmo com as limitações do GBA, Após tantos encontros com a criatura, não há a menor razão para que Samus não estivesse acostumada com a suposta imortalidade de Ridley e uma vez que ela encontrou vários Space Pirates na BOTTLE SHIP, ela deveria até esperar por isto. Estar surpresa é uma coisa, com medo é outra.

    “Ah, mas ela não esperava mais vê-lo depois da explosão de Zebes”: considerando o tempo gasto entre a morte de Ridley e a explosão de Zebes em Super Metroid, não seria uma surpresa que os piratas tivessem conseguido pegar parte de seu DNA e levar para uma base segura onde ele pudesse ser clonado, como fizeram entre ZM e Prime.

    O mais revoltante é que esta cena despreza uma das características mais importantes de Samus: sua coragem. De fato, pode-se dizer que coragem é a característica motivadora da personagem. O propósito desta cena é definir (e digo “definir” porque M:OM como um todo é voltado para este objetivo) Samus como um personagem fraco. Vale lembrar (e provavelmente direi isto novamente no futuro), que há uma grande diferença entre fazer um personagem com fraquezas e criar um personagem fraco. Um personagem fraco é desprovido de uma trajetória, de um arco de desenvolvimento e frequentemente apresenta pouca ou nenhuma mudança ao longo da obra, além de pouco influenciar nos eventos desta.

    Suponhamos que Samus fosse arrogante, mas ainda assim corajosa. Ela poderia trabalhar sozinha por acreditar que outras pessoas só a atrapalhariam. A nuances do personagem seriam diferentes, mas sua coragem, a característica que leva Samus a agir como uma heroína e conquistar tudo que conquistou, ainda está lá. Vamos imaginar uma situação: Samus está em uma missão, e em certo momento duas pessoas correm perigo, mas ela só pode escolher uma para salvar e por conta disso a outra pessoa morre. Isso forçaria Samus a entender que outras pessoas podem ser úteis em batalha, mesmo que não tão competentes quanto ela, prevenindo que ela repetisse o erro. Neste cenário você preserva a característica motivadora de Samus (coragem) ao mesmo tempo em que lhe dá uma fraqueza (arrogância) e lhe dá uma chance de desenvolver-se como personagem.

    Em Other M, Samus foi privada não só de sua independência, ao ter um sujeito que sequer conhecemos restringindo arbitrariamente o uso de suas habilidades (lembrem-se que Almirante Dane nunca vez isso!), mas também de sua coragem, ao se apavorar e perder o controle frente a Ridley. Você pode argumentar que esta cena dá profundidade à Samus, tornando-a mais humana, mas isto de nada vale uma vez que as características motivadoras da personagem foram extirpadas para cumprir tal objetivo.

    Ela deixa de ser uma heroína para se tornar uma vítima.

    “Mas faz sentido se você ler o mangá”

    Esta merece uma sessão especial. Muitos defensores de Other M tem utilizado o argumento de que a reação de Samus frente a Ridley é explicada como transtorno de estressa pós-traumático (PTSD em inglês) e faz sentido quando se lê o mangá Metroid, por isto seria necessário lê-lo para entender corretamente Other M. Contudo, há uma série de problemas com este argumento:

    1- O mangá não é canônico. A Nintendo já liberou os direitos de Metroid para adaptação no formato comics em várias ocasiões. Para exemplificar, em 1994 a revista Nintendo Power publicou uma adaptação de Super Metroid em quadrinhos, que recebeu inclusive publicação na versão norte-americana da revista. O mangá se baseia no primeiro e terceiro jogo, mas toma liberdades quanto aos eventos transcorridos e até o momento não foi lançado oficialmente no Ocidente.

    2- É trabalho do diretor e roteirista expor todo o material relevante para a compreensão de uma obra dentro da obra em si, exigir que o expectador pesquise um material obscuro simplesmente para entender o que está havendo é um sinal de incompetência narrativa. Para que uma premissa seja aceita como explicação para o comportamento de um personagem, é preciso que tal premissa tenha sido mencionada anteriormente, ao menos uma vez, no enredo. Em nenhum momento em M:OM ou mesmo em toda a franquia foi mencionado se Samus sofreria de PTSD, portando não existe apoio dentro da série. Aliás, sequer nos é informado porque Ridley teria traumatizado Samus!

    3- Metroid: Other M contradiz o mangá. Ao ser entrevistado, Ryuzi, Kitaura, responsável pela direção das cutscenes e criação dos storyboards, não menciona utilizar o mangá como fonte e quando se compara o modo como os personagens são mostrados em ambas as obras, nota-se claras contradições. Inclusive, no mangá Samus enfrenta Rydley uma segunda vez, já adulta, clama já ter superado seu medo e o destrói com facilidade. Parece estranho que todo este medo voltasse depois de enfrentá-lo pela sexta vez!

    4- O mangá nem sequer é bom! Não sou exatamente um crítico de mídia, mas se você questionar um sobre o mangá ele provavelmente lhe dirá que é ficção ruim: os personagens são inconsistentes, a trama se baseia em clichês batidos até mesmo para o gênero shounen, o suposto stress pós-traumático é usado simplesmente como um recurso de roteiro para incluir a tensão que a obra desesperadamente acredita ter, e nunca parece ser algo constante na personagem Samus.

    Eu gostaria que cada vez que alguém usar a desculpa de PTSD, vocês se perguntassem “Quanto de conhecimento esta pessoa tem sobre PTSD?”, porque pra mim, o uso deste argumento parece demonstrar muito pouco respeito àqueles que realmente sofrem com o transtorno.

    O pós-vexame

    De volta ao elevador da alegria, Samus constata que a comunicação com Adam (que comunicação?) havia cessado e vai ao ponto de dizer que, do ponto de vista do Deleter, Adam representaria a maior ameaça (claro, é óbvio que a caçadora que já destruiu inúmeras bases inimigas, portando uma armadura quase indestrutível é um risco menor que Adam). Mas tudo bem, segundo Samus, Adam já saberia sobre o traidor e não deixaria sua guarda baixa.

    Saindo do elevador ela observa uma figura se dirigindo ao Setor 1. Seria o Deleter? Ela o segue até a biosfera e em determinado momento o Deleter destrói um dos controles de uma das pontes retráteis, tornando possível operá-la apenas de onde ele está. Samus então diz “Alguma objeção, Adam?” (com a mesma voz monótona de sempre) e ativa o space jump e screwattack. Mas não a gravity suit, claro! Isto seria um momento muito legal, se não fosse o que acabamos de presenciar.

    Seguindo o Deleter ela chega até uma sala, onde vê um computador inicializar-se. Samus ESQUECE COMPLEETAMENTE DO DELETER e passa a mexer no computador, quando entra na sala a mulher loira de antes.(andando bem tranquilamente aliás!), que tenta fugir ao vê-la. Samus tenta convencer a mulher (que está atrás de uma porta, sem qualquer visibilidade entre um lado e outro. Samus, vocês está com o X-ray scope ativo?) a confiar nela, usando o tom mais monótono e sem vida em que uma pessoa pode falar. Aparentemente dá certo, e a mulher abre a porta, se identificando como Madelne Bergman (lembram-se dela?)!

    Entramos agora em uma sessão de doce exposição verborrágica, porque é isto que nós queremos de Metroid! Madeline explica que a Federação pretendia criar um exercito de bioarmas, utilizando os space pirates, o que significa basicamente escravizar uma raça que, como já foi mostrado em outros jogos, é perfeitamente capaz de realizar pensamento avançado (ao contrário do roteirista deste jogo!). Ela afirma que uma certa presença teria levado as criaturas da nave a se tornarem agressivas. Samus deduz que esta presença seria Ridley (por quê?).

    Madeline afirma que temia que os “Zebesians” pudessem evoluir e se tornar space pirates. Bem, eu sei que até o momento a espécie nunca teve um nome definido dentro da série (Zebesians não conta e eu expliquei porque) e chamá-los de space pirates é uma definição genérica da ocupação primaria destas criaturas. Isto me leva à questão: porque ela acredita que eles evoluiriam justamente para Space Pirates?

    Samus comenta depois que, sem a presença de alguma “força maliciosa” os Space Pirates continuariam apenas a seguir seus instintos e agir como um bando de feras descontroladas. Como assim? É correto pensar que sem contato social com seres desenvolvidos eles não teriam grandes chances de se desenvolver intelectualmente, mas já foi deixado mais que claro, em outros jogos da série, que os Space Pirates são bastante inteligentes, capazes inclusive de reconstruir Ridley e Mother Brain e reimplantar as memórias destes!

    Após mais verborreia, Madeline comenta sobre a existência de um plano ainda mais perigoso: frente a um computador ela mostra a Samus um relatório sobre um programa de reprodução de metroids (cara, onde será que eu ouvi isto antes?). Madeline afirma que o material usado para clonar os metroids foi extraído da armadura de Samus, e somos lembrados de um dos cientistas do inicio do jogo informando-a que deram uma polida em sua Power Suit.

    Samus afirma que Ridley deve ter sido clonado da mesma maneira. Ok, se ela sabe que ele foi clonado e que, portanto, não tem as memórias do original, como ela acha que ele causou a revolta das criaturas da nave? E como algumas céluilas de Ridley podem sobreviver a rajadas da Hyper Beam de Mother Brain, o ataque mais poderoso já mostrado na série, enquanto o original é vulnerável aos ataques de plasma de Samus?

    Madeline afirma que de inicio ninguém pensou que aquele fosse Ridley (nem eu, e por bons motivos!) e que o criaram como um animal de estimação, até que ele matou um dos cientistas (que devia se chamar Butthead!). Voltando aos metroids, Samus afirma que, e esta é a primeira vez na série que este detalhe é informado, é necessária a telepatia de Mother Brain para controlar os metroids. Porque será que não fomos informados disto em nenhum dos outros 9 jogos? É quase como se este fator tivesse sido inventado justamente em Other M.

    Ao ser perguntada se os cientistas clonaram Mother Brain, Madelina afirma que produziram uma IA capaz de reproduzir o processo de pensamento do original, chamada MB, mas que tal IA parece ter se tornado autoconsciente devido à interação com os metroids (What??). Samus pede a localização de MB e dos metroids e Madeline informa que eles estão em uma área secreta denominada Setor 0. Samus agradece a informação, e diz a Madeline que um oficial da Federação esta na BOTTLE SHIP para ajudá-la. Madeline pergunta se este oficial seria Adam.

    Vemos Samus em um elevador, e inicia-se um flashback DAQUELA MESMA CONVERSA DA QUAL ELA ACABOU DE SAIR onde Madeline mostra a Samus que o Autor do relatório sobre metroids que ela acabou de ver é ninguem menos que Adam! Aliás, notaram que Samus esqueceu-se completamente do assassino andando pela instalação e deixou Madeline sozinha na sala onde elas conversavam? Advinha quem aparece para fazer uma visita para Madeline? Ele mesmo, o Deleter. A câmera então escurece e ouvimos o som de um tiro.

    Morta e enterrada

    Bem, chegou a hora de falar sobre o clímax, o momento em que Other M decide “È hora de matar Samus Aran”.

    Samus se dirige para o Setor 0. Próxima à entrada do setor, pressentindo uma presença, ela se vira e dá de cara com um metroid filhote. Obviamente, temos um flashback do nascimento do “baby”, no final de Metroid II, porque Other M tem que nos lembrar constantemente de como as coisas NÃO ocorreram em outros jogos da série, já que neste flashback Samus não aponta sua arma para o infante.

    Após se recompor e provavelmente lembrar que metroids são parasitas incapazes de entender uma palavra do que ela diz, Samus se prepara para atirar na criatura, mas é derrubada. Neutralizada por UM TIRO de uma pistola congelante. Eu não estou inventando isto, a caçadora que usa uma armadura capaz de resistir a ataques de alienígenas interdimensionais é derrubada por um tiro de uma arma básica da Federação galáctica. Eu sequer preciso explicar porque isto contradiz Metroid?

    Antes de analisar o resto da cena, gostaria de comentar uma teoria que tenho. Acredito que, inicialmente, o roteirista tinha a intenção de que o autor do disparo nesta cena fosse o Deleter, mas por conta de certo evento futuro do enredo, foi obrigado a criar outra explicação, eliminando o Deleter da cena, mas mantendo a parte em que Samus é derrubada por um tiro. Mas então, quem teria atirado em Samus?

    Adam. Adam Malkovitch, supostamente a figura paternal e maior confidente de Samus, a pessoa que a caçadora mais admira, foi o atirador. Samus permanece caída enquanto o metroid flutua sobre ela por longos 20 segundos antes de tentar o ataque, e só neste momento Adam atira nele e o congela. Samus perde a consciência totalmente.

    Bem, antes de partir para os maiores absurdos desta cena, há algo necessário de se comentar: trata-se da mecânica da concentração da armadura.

    Ficou definido ao longo da série que Samus não veste sua armadura propriamente, ela se materializa em torno de seu corpo quando é dado o comando, que pode ser muito bem um comando mental até onde sabemos. Por outro lado, também é claro que a armadura é um objeto sólido e passível de interação, visto que em vários jogos figuras externas a manipularam, como os médicos da Federação em Fusion, quando foi necessário extrair partes da armadura contaminadas pelo SA-X, ou os cientistas em Metroid Prime 3: Corruption, ao fundi-la com a tecnologia PED.

    Other M institui uma nova norma: a armadura seria não só ativada, mas também “alimentada” pela força de vontade de Samus. Este fator contradiz não só vários outros títulos da série, como os anteriormente citados Fusion e Corruption, mas também o próprio Other M. Sendo alimentada pela força de vontade do usuário, não haveria como a armadura permanecer ativa nos momentos em que Samus esteve inconsciente, como nas circunstâncias em que ela esteve infectada pelo parasita X, ou quando esteve em coma por um mês em Corruption, permitindo que a GF lhe desse o PED.

    É ainda mais grave quando se compara com o enredo de Other M. Lembram que as amostras de DNA de metroid e Ridley foram extraídos da armadura de Samus? Como seria possível, mantendo a ideia da necessidade da concentração, que os cientistas extraíssem tais amostras enquanto Samus esteve inconsciente e, portanto sem força de vontade ativa para manter a armadura? Isto é algo importante de se notar, pois não é qualquer furo de roteiro: é um furo de roteiro que impossibilita todo o roteiro do jogo, contradiz todos os eventos presenciados. Isto não é uma falha primária, é um grave indicativo de incompetência narrativa.

    Bem, eu quis trazer este fator à discussão porque vários defensores de M:OM justificam a cena (em que Samus é derrubada por um tiro), utilizando a justificativa da concentração. O que eles não veem é que tal justificativa apenas piora as possíveis leituras de tal cena. Ao acordar e ver Adam a sua frente, Samus ouve dele o que já sabemos sobre o setor 0 e pergunta em seguida:

    Então porque você atirou em mim?” Sim, senhores, ela não pergunta “quem atirou em mim?”. Isto porque sabe que foi Adam o autor do disparo.

    Sabem de quantas formas diferentes isto é danoso? A explicação dos fãs seria que, por saber que Adam está próximo (algo que de forma alguma foi mostrado na cena anterior), Samus teria deixado sua guarda baixa, tornando a armadura vulnerável a armamento comum. Isto tira Samus da posição de subordinada numa operação militar, coisa que ela nunca foi oficialmente nesta operação, e a coloca na posição de vítima de uma relação abusiva. Saber que era Adam que a alvejou e aceitar este fato indicaria que Samus é conivente com uma situação de abuso físico imposto a ela. Para defender uma cena, fãs de Other M estão dispostos a colocar Samus numa condição equivalente a de uma esposa agredida que defende seu agressor.

    Voltando à cena: Adam responde que Samus não pode destruir os metroids do setor zero pois “é muito provável” que eles não possam ser congelados. Então esta é a premissa: Samus não poderia lutar com estes metroids porque eles não poderiam ser congelados. Ela então pergunta como ele conseguiu congelar a criatura próxima a eles. Adam diz acreditar que este estaria ainda em estágio larval, possível de congelar.

    Ok, tirando o fato de que em outros jogos Samus não teve problemas enfrentando metroids imunes ao frio, vejamos os principais problemas desta cena:

    1- Porque Adam tinha tanta necessidade de atirar em Samus? Ela não teve problemas em seguir suas ordens anteriormente, mesmo quando tais ordens a colocavam a vida dela em risco. Ela não parece do tipo que se rebelaria.

    2- Porque não atirar no metroid primeiro, ou deixar que Samus tentasse matá-lo? Adam atirou nela e a deixou vulnerável por 20 segundos frente a um predador que ele não tinha certeza se seria capaz de destruir!

    3- Adam sabe da existência do Deleter agora, o que significa que ele deixou Samus vulnerável não só ao metroid, mas também a um assassino solto pela instalação!

    4- Considerando o que se passará em seguida, ele poderia muito bem ter mentido para Samus para que ela fosse a outro local ao invés do setor 0. Ela não demonstrou resistência em fazer isto anteriormente!

    Agora vejamos algumas das frases utilizadas por Adam nesta cena:

    Os metroids do Setor 0 muito possivelmente não podem ser congelados
    Há uma grande possibilidade de que a fraqueza mortal dos metroid, a vulnerabilidade ao frio, foi superada...
    Se isto é verdade, então não há como você destruí-los
    Minha aposta é que foi porque este ainda estava em fase larval, mas quem pode afirmar?

    Estas frases demonstram que Adam atirou em Samus tendo como desculpa uma informação que ele não tinha certeza se era verdadeira! Mesmo que seja ficção, não se atira em alguém por conta de suposições. Não só é inconsistente, mas coloca em cheque o caráter do personagem, e considerando o caráter que Adam demonstrou até o momento, coloca-o no nível de um fanático manipulador!

    E há um motivo para dizer que Other M se contradiz neste ponto: em nenhum momento deste jogo vemos ou somos informados por qualquer outro personagem se realmente havia metroids invulneráveis ao frio na instalação. Claro, tivemos aquela criatura no setor 2 , a criosfera, que Samus disse parecer ter sido atacada por metoids, mas o corpo poderia tanto ter sido transportado para lá, como o sistema de refrigeração poderia estar desligado. Provas factuais nunca são dadas no jogo.

    Voltando à cena: Adam se levanta, afirmando que este metroids devem ser destruídos, e Samus chama sua atenção perguntando por que ele era creditado pelo relatório sobre metroids, ao que ele responde dizendo que o relatório informava o perigo de se utilizar metroids como armas, mas que um grupo radical da Federação utilizou o relatório para iniciar o programa ilegal.

    Adam, então dá várias missões à Samus: alterar o curso da BOTTLE SHIP, que começou a se mover rumo ao QG da Federação, encontrar e garantir a segurança de um sobrevivente no salão MW e destruir Ridley, que, segundo Adam é tão perigoso quanto os metroids (apesar de todos saberem ser um clone sem as memórias do original!). Por último, ele avisa que Madeline Bergman não é aliada.

    Se levantando com dificuldade, Samus pergunta como ele pretende lidar com metroids que não podem ser congelados (que tal usar Samus Aran? Eu soube que é muito eficiente!). Ele responde que o setor 0 é programado para se desprender da BOTTLE SHIP e autodestruir caso receba um dano considerável. Isto destruiria os metroids e MB sem deixar rastros (coff, cópia de Fusion, coff!).

    Vamos fazer mais uma pausa (eu sei, eu também estou de saco cheio, mas fazer o quê?) e analisar os furos desta ideia:

    1- Quem diabos constrói uma área de uma nave com um sistema de autodestruição que só pode ser acionado de dentro desta mesma área?

    2- Se é necessário causar dano para acionar a autodestruição, porque não usar a nave de Samus, que é equipada com armamento pesado, para causar dano no setor 0, sem sacrificar ninguém?

    3-, Só pode ser feito de dentro? Ok, então que tal mandar Samus para lá, já que ela tem Power bombs e uma armadura que resiste ao vácuo do espaço? Ela chegaria lá, explodiria umas Power bombs, causando o dano necessário para ativar a autodestruição.

    4- Não? Que tal Adam simplesmente abrir a porta, jogar uns explosivos lá dentro (já foi mostrado no inicio do jogo que o Platoon 07 levou consigo explosivos) e depois sair de lá antes que eles explodam?

    Não, que tal demitir o roteirista, que é obviamente um imbecil que não presta atenção ao previamente estabelecido na franquia? Vocês podem até me dizer que nada disso seria possível porque o setor estaria lotado de metroids invulneráveis ao frio, mas isto só provaria os furos do plano de Adam, pois antes de conseguir danificar qualquer coisa ele seria morto em segundos pelos metroids.

    Continuando: Samus implora a Adam que a deixe ir em seu lugar, pois ela é a única com experiência contra metroids. Enquanto ela implora, vemos flashbacks da morte de Ian, exatamente nos momentos em que ela implorava a Adam que a deixasse salvar o rapaz. Lembram o que eu comentei antes, sobre como estas cenas que mostram o herói falhando no passado são uma preparação para outra cena, onde ele terá a chance de corrigir seu erro, mostrando que ele amadureceu durante a trama, superando a falha que o levou ao erro da primeira vez? Não aqui, não em Other M.

    Da primeira vez em que foi mostrado o flashback da morte de Ian servia para expor como Samus era imatura e ingênua na época. A cena do sacrifício de Adam seria o momento em que Samus poderia mostrar como amadureceu, ou aceitando o sacrifício, ou impondo sua vontade e indo no lugar de Adam, salvando o dia e mostrando que ela já não é mais fraca ou submissa, que ela agora confia em si mesma. O problema é que, da maneira como foi passado aqui, o flashback de Ian expõe o contrário: ressalta como Samus permaneceu imatura e ingênua, incapaz de aceitar que sacrifícios devem ser feitos. O flashback enfraquece Samus como personagem.

    Ao final, Adam afirma que não é um “Salvador da Galáxia” como Samus (o que poderia até ser considerado um cumprimento, não fosse o tom inexpressivo em que ele fala) e parte para seu sacrifício, deixando Samus aos prantos.

    É neste momento que Metroid: Other M mata Samus Aran: ela foi privada de sua independência ao ter suas habilidades restringidas arbitrariamente, teve sua coragem contestada na cena com Ridley, e agora teve sua força e poder de ação tomados por Adam, que parte para cumprir seu “ato heroico”. Samus Aran não é a protagonista deste jogo, o protagonista é Adam Malkovitch!

    Logo após, Samus inicia um monólogo no qual elogia Adam de todas as maneiras possíveis: seu melhor amigo, a pessoa que melhor a entendia, a coisa mais próxima que teve de um pai (Na boa, o T800 era um pai melhor!), a pessoa que lhe deu a clareza de pensamento que ela precisava.

    Honestamente? Tudo mentira! Nada do que vemos antes ou depois dessa atrocidade em CG confirma qualquer uma dessas afirmações!

    2 down, one to GO!

    Então, Adam está morto e ainda temos as tramas do Deleter e de Ridley para resolver!

    Falando nele: Ridley aparece em uma cutscene, respirando com dificuldade, enquanto ouvimos o som de pesados passos ecoando. Aparece uma imagem em POV de um monstro observando Ridley, que ruge para ele. O monstro se prepara e ataca. Ok, corta, edita e mata o porco.

    Chegando à sala em que havia conversado com Madeline, Samus avista um corpo de mais um soldado: James. Aliás, o último deles, uma cutscene muito antes mostrou K.G. sendo morto pelo Deleter. Lá se vai o último Platoon. Ok, por eliminação vocês já devem ter sacado que James era o Deleter, e por eliminação é a única maneira pela qual vão chegar a esta resposta, porque O JOGO NUNCA SE PREOCUPA EM CONTAR!

    Mais a frente Samus chega a uma sala onde vê um rastro de sangue verde. Seguindo o rastro ela vê nada menos que o cadáver de Ridley petrificado. Sim, Ridley, responsável pelo pequeno freak-out de Samus, responsável pela morte de Anthony e uma das razões pela qual Adam impediu Samus de entrar no setor 0, foi morto por uma outra entidade, off-camera, sem dar a Samus a oportunidade de revanche. Porque isto é Other M.

    Este é o maior problema com as subtramas de Ridley e do Deleter: a partir do momento em que elas serviram sua utilidade ao “roteiro” de Other M, as duas subtramas são descartadas o mais rápido possível, fora da interferência de Samus e o jogo sequer se preocupa em esclarecê-las ou mesmo mencioná-las novamente. São dois segmentos da estória que ganham grande importância, uma vez que ambos representam boa parte da força motivadora da “progressão” do jogo, e, logo que o jogo as considera desnecessárias, são jogadas fora, sem a devida conclusão. E eu digo sem a devida conclusão com motivos: após serem resolvidos, nenhuma destas linhas de roteiro influencia no resultado final do jogo.

    Vamos observar as funções destas subtramas: ambas partilham a função de eliminar os personagens descartáveis. Fora isto elas exercem funções diferentes.

    O Deleter é responsável por fazer você pensar que Adam é o Deleter, razão pela qual este nunca comenta sobre o traidor (razão que em nada muda o fato do roteiro ser estúpido, só pra esclarecer), e fazer você pensar que Adam está morto. Nenhuma destas funções é auxiliada pelo resto do roteiro: Samus não avalia a possibilidade de Adam estar morto e a existência do relatório indica que ele irá aparecer mais tarde para esclarecê-lo, e mesmo se ele estivesse morto, já saberíamos que ele não é o Deleter. Uma vez que Adam aparece para depois morrer, o Deleter perde sua função e é descartado, sem sequer haver um confronto final entre ele e Samus, o que serviria pelo menos para revelar sua identidade adequadamente.

    A função de Ridley é mais simples: transformar Samus numa garotinha chorona. Em termos mais analíticos, Ridley serve para realçar a ideia de Samus como sendo uma pessoa inepta e fraca, que é o tema central de Other M. Sua falha em combatê-lo da primeira vez resulta na morte de Anthony e a chance que ela teria de vingar seu amigo lhe é tomada por uma força externa, retirando assim qualquer chance da garota mostrar algum amadurecimento neste aspecto. Vocês podem argumentar que Ridley só foi descartado daquela forma para explicar sua aparição em Fusion, mas mesmo sob este aspecto não haveria razão para não permitir que Samus tivesse uma revanche, onde ela mesma poderia terminar a luta congelando-o. Não há revanche porque, para Other M, Samus deve continuar sendo fraca.

    O outro M

    Bem, eu prometo que esta é a última sessão antes da conclusão. Eu também estou cansado de escrever, mas realmente é necessário toda esta revisão para entender os problemas contidos em Other M.

    Chegando ao salão MW, Samus encontra uma sobrevivente em uma das celas do local. Samus bate no vidro da porta e, assustada, a mulher aperta um botão em um painel, abrindo uma grande porta das proximidades. Ao atravessar a porta, Samus encontra o último chefe do jogo: uma rainha Metroid (e não, eu me recuso a chamar o que vem depois disso de “último chefe”).

    Lembram-se do que eu disse antes, sobre como Fusion estabeleceu a necessidade de um ambiente similar a SR388 para obter-se os estágios de um metroid que resultariam em uma rainha? Então, o que uma rainha metroid está fazendo aqui? Não há local nas proximidades que tenha sido definido como uma reprodução do ambiente de SR388, e o único local que poderia ser, o setor 0, foi destruído sem que o jogador sequer tivesse a chance de entrar lá.

    Em fim, após derrotar a rainha (com a ajuda de uma misteriosa “freada” da nave, que estava a caminho da órbita da Federação), Samus segue a mulher, que foge desesperada até uma sala, onde fica encurralada. Ao acalmar a mulher, Samus pergunta seu nome, e ela se identifica como Madeline Bergman (que é a única com uma dubladora ao menos decente!).

    Preparem-se, porque agora vai começar a maior sessão de exposição gratuita que eu já presenciei até hoje. Confusa, Samus afirma ter conhecido outra mulher que atendia pelo mesmo nome. A mulher mostra um crachá holográfico (!) com sua identificação e afirma que a outra mulher seria MB, um androide criado para abrigar a inteligência artificial usada para controlar os metroids. O propósito de torná-la um androide seria fazer com que ela fosse a primeira criatura a ser vista pelos metroids recém-nascidos, e fosse admitida como a mãe deles, o que é completamente desnecessário, uma vez que ela tem telepatia justamente para controlar metroids!

    Bem, esta é outra das incessantes referências de Other M a maternidade, que, segundo Madeline, seria a “relação ideal” (sério, é assim que Other M se refere à maternidade) que eles esperavam desenvolver entre MB e os Metroids. Aparentemente a interação com os metroids teria levado MB a desenvolver emoções, o que levou os cientistas a considerarem ela um risco (não diga?) e tentar reprogramá-la.

    Temos então um flashback de um grupo de homens aparecendo para levar MB. Eles seguram MB, momento em que Madeline aparece e questiona o que está acontecendo. Como assim? Madeline Bergman supostamente é a diretora da BOTTLE SHIP, responsável pelas principais operações e tomada de decisões no local, e ela simplesmente não sabe que decidiram reprogramar um dos objetos centrais da pesquisa mais importante da instalação? Oh, eu me esqueci: ela é mulher e, como Other M me ensinou, toda mulher é uma escrava de suas emoções que irá perder todo o senso de dever quando pintar a chance de brincar de mamãe! Porque é justamente isto que acontece aqui: Madeline criou MB como sua filha, dando-lhe inclusive o nome Melissa. Um cara aparece e segura Madeline, ao que ela reage simplesmente abaixando a cabeça e deixando que levem MB.

    Do lado de fora, MB demonstra ter superforça, derrubando os oficiais que a arrastavam, e usa sua telepatia para fazer com que as criaturas da instalação se rebelem. O que prova que estes cientistas são imbecis, porque se você tem um androide com superforça capaz de controlar mentalmente um exército de criaturas potencialmente mortais, a primeira coisa a fazer é criar um controle remoto com a função “desligar”. Céus, que roteiro imbecil!

    MB supostamente tentaria atacar a Federação utilizando os metrords, mas seus planos teriam sido impedidos por Adam e Samus. Olha Samus, eu não acredito que você teve muita participação nisto!

    Falando nela, MB aparece neste exato momento, portanto uma freeze pistol. Samus se posiciona para proteger Madeline, o que não adianta nada uma vez que ela simplesmente passa por Samus, ficando diretamente na linha de fogo. Genial! Madeline tenta acalmar MB, que começa a falar sobre como os humanos cometeram um crime e devem ser julgados. Madeline continua tentando convencê-la e, ao chamá-la de Melissa, vemos um flashback das duas juntas em que Madeline dá a MB um prendedor d cabelo. MB se livra do enfeite e ataca Madeline com supervelocidade (é, ela tem isto agora!). Samus socorre Madeline.

    Neste momento, um grupo de soldados entra no local e congela MB, mas ao invés de fazer a coisa mais sensata, que seria destruí-la naquele momento, cercam Samus e Madeline, que sequer pensam em informar os imbecis do androide assassino que eles simplesmente ignoraram, permitindo que MB se descongele. Que incompetentes! MB joga sua arma na direção das duas (Anh, ela não deveria ser altamente inteligente?) e invoca as criaturas da nave para destruir o grupo.

    Há uma pequena porção de gameplay, onde tudo que você deve fazer é apontar para MB e tentar atirar. Só para que Madeline, usando a pistola de antes, grite “Parem”, o que, por alguma razão, realmente para todos na sala! Madeline usa a pistola para congelar MB e logo em seguida um grupo de soldados que acaba de aparecer executa o vilão principal do jogo para você. Porque Samus não pode sentir o gosto de ser útil.

    Gostaria que vocês voltassem sua atenção para algo muito interessante: Other M acaba de revelar o vilão principal do jogo, assim como sua história pregressa, motivações e objetivos, todos na cutscene final do jogo, considerando que a pequena porção de gameplay onde você deve apontar a arma para MB é inclusa em Theater Mode. Isto é algo inadmissível em qualquer narrativa.

    Enquanto Madeline chora a morte de MB entra no local o líder do grupo, que só poderia ser um vilão mais óbvio se invocasse trovões ao entrar. Coronel Dedos com Garras se aproxima de Samus e lhe diz que ela cumpriu admiravelmente seu dever, mas que pode deixar o resto com eles.

    Dois soldados se aproximam de Madeline para levá-la, Samus tenta intervir, mas basta o coronel dizer “wait” para impedi-la. Ele, então, comenta como é triste o que ocorreu com Adam e o Platoon 07, o que levanta a questão de como ele sabe o que ocorreu se a comunicação não funcionava, mas que, com todos mortos, Samus não passa de uma intrusa e, portanto, não pode entrar em contato com a testemunha. Sim senhores, isto é o que basta para Samus abaixar sua cabeça e permitir que os conspiradores saiam impunes levando uma testemunha vital do incidente. E ainda há quem acredite que esta é supostamente a mesma Samus que em Fusion destrói uma estação espacial e um planeta inteiros para prevenir a Federação de encontrar o parasita X.

    E para que Other M não perca nenhuma chance de reescrever o que foi mostrado em Super Metroid, Coronel Dedos com Garras ainda afirma:

    Com sua predileção por transportar carga ilegal, como infantes metroids, eu devo pedir que você restrinja a sua...(risada)” Se era ilegal, porque não fizeram nada quando ela entregou o metroid para os cientistas da estação em Ceres?

    O coronel pede aos soldados que escolte Samus para fora da estação. Um deles a puxa pelo braço e a chama de “Princess”. Sim, o Deus Ex Machina final de M:OM: Anthony está vivo! Ele se apresenta ao coronel e informa que é o último do Platoon 07, com a missão de transportar em segurança qualquer sobrevivente, ordens de Adam, autorizadas pelo líder da Federação. Como Anthony tem suporte da autoridade, o coronel não pode fazer nada. Black Dynamite ainda explica que foi ele que puxou os freios de emergência durante a luta contra a rainha metroid. E mais uma vez, o dia foi salvo, graças não à Samus, mas a Anthony.

    Corta para Samus, Anthony e Madeline na nave da caçadora, onde temos um flashback de como Anthony sobreviveu. Samus inicia um embaraçoso monólogo tentando pintar MB como uma figura trágica, dizendo inclusive:

    Melissa não era insana.” Claro! Não é insanidade se rebelar contra todos que a criaram e depois tentar empreender genocídio contra uma civilização inteira!

    Ela ainda afirma que os humanos levaram MB à violência, o que pode até ser verdade, exceto pelo fato de que tentar genocídio foi escolha dela somente, ninguém a obrigou. Punindo ou não aqueles que “a levaram à violência”, os planos de “julgamento” de MB se estendiam mesmo àqueles que em nada participaram na “traição” contra ela.

    Temos ainda mais uma sessão de bajulação para Adam, em que ela comenta como é triste que ele esteja morto (eu não estou tão triste!) e como ela mal podia acreditar nisto, dizendo ainda que, pela primeira vez, questionou sua escolha, como se já não a tivéssemos visto questionar a escolha dele várias vezes!

    Corta para a Terra, onde Samus informa que Adam estava certo, como se o jogo não tivesse feito o favor de nos contar isto o tempo todo, e pela primeira lhe dá um joinha para seus vídeos no YouTube.

    Nenhuma menção de Madeline, Ridley ou do Deleter.

    Creio que vocês esperam que eu comente sobre a sessão pós-créditos, mas uma vez que o grosso escatológico da narrativa de Other M termina aqui, não considero esta última porção do jogo relevante.

    FIM


    Última edição por Goukeban em Sex 30 Nov 2012, 11:23, editado 25 vez(es)
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    Goukeban
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    Re: Uma análise da estória de Metroid Other M

    Mensagem por Goukeban em Dom 04 Nov 2012, 17:35

    3- Conclusão

    Metroid: Other M contradiz com tanta força, com tanta frequência e com tanto fervor o que havia sido estabelecido até hoje na franquia Metroid, que não é difícil acreditar que este jogo seria uma zombaria intencional com os fãs da série. Eventos significativos de outros jogos são consistentemente desconsiderados ou reescritos para se adequarem à visão que orientou este jogo.

    Fusion é o jogo que mais sofre pelos pecados de Other M. Em Fusion somos informados da existência de Adam Malkovitch, que teria sido uma figura importante para Samus. Naquele jogo, a interação entre ambos é retratada como uma relação de respeito mútuo, baseada na confiança e reconhecimento das habilidades de um e de outro. Other M pinta a relação entre Adam e Samus como uma amizade incondicional, mas o que nos é apresentado no jogo se assemelha com muito mais força a uma relação abusiva: Adam, o superior, abusa mental e fisicamente de Samus, a subordinada, colocando-a irremediavelmente sob sua autoridade e, quando deseja, inflige até mesmo punição física, como na sequência conhecida como Hell Run.

    Não há nada na relação entre Adam e Samus, como mostrado em Other M, que mesmo remotamente indique a presença de confiança ou respeito mútuo entre estes personagens. O que temos é Samus constantemente endeusando Adam, prezando suas qualidades de amigo, confidente e perfeita conduta estratégia, mas nenhuma destas qualidades é sustentada por suas ações no jogo. Muitas de suas decisões estratégicas inclusive são completamente contestáveis.

    Muito foi dito se Other M seria ou não machista e, independendo de concordar com esta afirmação ou não, é inegável que existem fortes indícios na obra sustentando a tese. Vale lembrar que acusar uma obra de machismo não é o mesmo que dizer que a obra seria intencionalmente uma propaganda pregando a inferioridade da mulher, mas é importante lembrar que muitas vezes a mentalidade do autor da obra influencia, mesmo que de forma inconsciente, na maneira como os personagens são retratados. Samus é constantemente privada de seu poder de ação na trama do jogo, quando em outros jogos da série ela era um dos agentes motores da narrativa. Ao mesmo tempo, nenhuma das figuras masculinas principais do jogo demonstra fraqueza de qualquer tipo, frequentemente sendo os responsáveis por tomar a iniciativa onde Samus falha.

    Samus neste jogo é reduzida a uma personagem secundária, uma vez que nenhuma das ações principais do enredo foi resolvida por sua influência:

    • O Deleter é morto por MB;
    • Ridley é morto pela rainha metroid, privando Samus de sua revanche;
    • Os metroids do setor 0 são eliminados por Adam;
    • MB é morta pelos soldados da Federação:
    • Anthony impede os conspiradores de levarem a testemunha;

    As ações da qual Samus realmente toma parte em pouco ou nada influenciam no resultado final da trama. Ao final não há amadurecimento visível em sua personagem, ela termina o jogo praticamente a mesma de quando começou.

    A estrutura narrativa do jogo é desajustada, consistindo quase integralmente de exposição verbal dos eventos, que seriam muito mais impactantes se vivenciados pelo jogador ao invés de relatados para ele. Isto é agravado principalmente no final, quando as principais revelações do jogo, assim como novos personagens supostamente relevantes, são introduzidos. As constante referências ao tema maternidade são simplesmente jogadas na trama, sem serem adequadamente abordadas ou explicadas. Ainda, o simples fato dos eventos centrais da trama serem cópias gritantes do enredo de Metroid Fusion é suficiente para por em cheque a necessidade de M:OM.

    Como eu disse na introdução desta análise, meu objetivo é deixar claro para aqueles que apreciaram Other M que, embora eles são livres para gostar do que quiserem, aqueles que não gostaram do jogo tem razões mais que justificáveis para tal.

    Enquanto gameplay é algo bastante subjetivo e o grau de apreciação varia de pessoa para pessoa, é importante deixar claro uma coisa: a estória de Metroid: Other M é objetivamente ruim e isto não é uma questão de opinião. Não há um ponto sequer desta estória que justifique redenção: a quantidade e gravidade de furos de roteiro é suficiente para por em cheque toda a narrativa, as subtramas são descartadas sem a devida conclusão assim que seu propósito é cumprido, a ausência de desenvolvimento para as personagens torna impossível simpatizar com qualquer uma das figuras humanas, o estilo expositivo prejudica a imersão no enredo, cenas que podem ter forte impacto individualmente colapsam quanto colocadas em conjunto e a ideia de que o que vemos ser retratado no jogo seria uma forma desejável de interação humana é praticamente ofensiva.

    A estória de Other M, como um todo, não sobrevive a uma análise crítica, assim como mancha a imagem de uma franquia que até hoje primava pela sutiliza e respeito ao expectador na maneira como conduzia suas narrativas, assim como por nos dar um dos maiores ìcones femininos da história dos videogames.


    Última edição por Goukeban em Seg 19 Nov 2012, 11:29, editado 2 vez(es)
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    Re: Uma análise da estória de Metroid Other M

    Mensagem por Convidad em Dom 04 Nov 2012, 20:44

    Clap Clap Clap
    Essa foi a posição crítica mais bem representada e defendida que eu vi nos meus dois anos nesse fórum!
    Como um fã da série, concordo com cada palavra que você escreveu, ou seja concordo com coisa pra caramba! ^^
    E... esses foram seus três primeiros posts?
    LOL Bem vindo!
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    Re: Uma análise da estória de Metroid Other M

    Mensagem por Nujaka Knight em Dom 04 Nov 2012, 21:06

    Cara, concordo com você em vários aspectos, mas eu li só o começo mesmo(cansado do ENEM...).
    Ficou muito grande, então o seu trabalho deve ser valorizado só pelo esforço(se vc não copiou da web...).
    E toma mais cuidado com posts repetidos ou o povo pega no seu pé.
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    Re: Uma análise da estória de Metroid Other M

    Mensagem por Frayer3 em Dom 04 Nov 2012, 22:03

    Isso não é uma análise! É um TCC sobre Metroid! kkk
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    Re: Uma análise da estória de Metroid Other M

    Mensagem por Goukeban em Dom 04 Nov 2012, 22:33

    pocketmanu escreveu:Clap Clap Clap
    Essa foi a posição crítica mais bem representada e defendida que eu vi nos meus dois anos nesse fórum!
    Como um fã da série, concordo com cada palavra que você escreveu, ou seja concordo com coisa pra caramba! ^^
    E... esses foram seus três primeiros posts?
    LOL Bem vindo!

    Pois é, existe um limite de tamanho para os posts então eu tive que dividir. Peço desculpas à moderação pelo "triple" post, mas foi o jeito que deu pra colocar. Se algum deles puder mixar, agradeço.
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    Re: Uma análise da estória de Metroid Other M

    Mensagem por x0exe em Dom 04 Nov 2012, 22:46

    Muito bom, concordo com bastante coisa que disse, realmente como um grande fã eu concordo com bastante coisa, não tive oportunidade de jogar o jogo mas pelo que vi, já dá para ter um opinião crítica
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    Re: Uma análise da estória de Metroid Other M

    Mensagem por Migraman em Dom 04 Nov 2012, 23:17

    Eu gosto muito de Other M, tanto do gameplay quanto da estória.A primeira vez que joguei consegui me envolver com a narrativa,e a achei bem interessante.Porém ainda não havia jogado os outros títulos.Atualmente, mesmo conhecendo bem "as aventuras de Samus" continuo achando um bom jogo com uma estória bem chamativa,tanto que até comprei o jogo xD(original claro).Hoje, li o seu texto até o final e posso dizer com todas as letras que você me surpreendeu cara.Bem escrito, com toques de humor,destacando detalhes idiotas que haviam passado despercebidos por mim.Nunca mais vou conseguir jogar o jogo sem lembrar dessa incrível análise.
    Apesar das falhas grotescas de tal título, continuo amando other M, por ter sido o Metroid que me chamou atenção para a saga(não foi o primeiro que joguei, mas foi o que consegui me envolver melhor).Parabéns à você pela sua análise e pela sua paciência de escrever um texto gigante com tantos detalhes.
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    Re: Uma análise da estória de Metroid Other M

    Mensagem por DIEGOELRIC2005 em Dom 04 Nov 2012, 23:22

    Zerei othei m duas vezes e adorei o jogo,problemas com historia?não liguei pra isso quando joguei,não sou tão fã na serie,a ponto de querer metroid tenha uma historia de hollywood,mas bacana o topico,parabens!
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    Re: Uma análise da estória de Metroid Other M

    Mensagem por Monagma em Dom 04 Nov 2012, 23:40

    Nossa, eu sempre pensei que a história fosse boa... MAS QUANTOS FUROS E CONTRADIÇÕES!
    Mas o texto ficou perfeito, congratz, karmado.
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    Re: Uma análise da estória de Metroid Other M

    Mensagem por feichaw em Dom 04 Nov 2012, 23:49

    Nunca joguei.

    Nunca jogarei.

    Único Metroid que passei e passarei longe. E pensar que quase comprei um Wii só pra jogar esse jogo...
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    Utsuho.Reiuji
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    Re: Uma análise da estória de Metroid Other M

    Mensagem por Utsuho.Reiuji em Seg 05 Nov 2012, 03:05

    Eu já tinha noção sobre vários furos por parte de Other M, mas o que você fez ai esta incrível! Tem até coisas que não cheguei a percebe, mas depois de ler tudo e rever os fatos passados nos jogos (em especial OM), pude mudar minha concepção sobre Other M, agora posso odiá-lo ainda mais!
    Os caras não contentes em destruir a história, ainda destroem a personagem... D:

    Agora como você disse, gameplay é uma coisa, história é outra... Se não fosse pelo gameplay, teria jogado longe este jogo... ¬¬"

    Bom... estou mais passando para elogiar seu tópico, muito bom! o/
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    Hamburger
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    Re: Uma análise da estória de Metroid Other M

    Mensagem por Hamburger em Seg 05 Nov 2012, 06:32

    Caro Goukeban, primeiramente, seja muito, muito bem-vindo ao nosso fórum. Esperamos pessoas como você por aqui de joelhos, na esperança de dar ao fórum um pouco de sentido. Bom, eu li sua análise de cabo a rabo. Passei 3 horas lendo tudo com um bloco de notas aberto, anotando minha crítica da sua crítica, mas sempre levando tiros de orgulho ao ver a tamanha perfeição do seu texto e a inimaginável percepção dos detalhes da franquia. Você praticamente não deixou nada passar! Bom, aqui vai meu review. Espero que leia e goste. Sim, existem alguns erros logo no começo pois eu fiz enquanto lia, não depois de ler, apenas para ter mais precisão e exatidão. Admiti a maioria dos meus erros no final.

    ERRO 1: Metroid Other M segue mais a estória dos comics do que dos jogos em si.

    ERRO 2: Você esqueceu de mencionar que o computador "Adam" afirmou que existe mais de uma SA-X na nave. Por isso ela volta para matar o último chefe, mesmo depois de você tê-la matado posteriormente.

    ERRO 3: “O nome vem do fato de que o propósito do sinal é chamar atenção” - Na verdade, a Galactic Federation utilizaria um codinome desses em qualquer missão para qualquer pessoa, a missão apenas teria o melhor nível de urgência. Mas sim, o nome foi forçado.

    ERRO 4:
    (uma em Zero Mission, duas em Prime, Duas em MP3: Corruption e duas em Super Metroid)
    Samus apenas enxerga Ridley no início de Prime e depois batalha com ele, apenas uma vez. E sim, Ridley não aparece em Echoes.

    ERRO 5:
    “Alguma objeção, Adam?” (com a mesma voz monótona de sempre)
    Na verdade, excluindo a parte com Anthony na base da Galactic Federation, essa foi a parte em que Samus mostrou ter mais "humor" no jogo. Neste caso, obviamente, ela está mesmo sendo irônica.

    ERRO 6:
    Ridley, que, segundo Adam é tão perigoso quanto os metroids (apesar de todos saberem ser um clone sem as memórias do original!)
    Não! Ridley pode muito bem ter as memórias do original! Ridley é um ser único e ele só pode ser clonado. Ridley é o único de sua espécie. Seria muito idiota se os Space Pirates não tivessem clonado Ridley sem suas memórias. E o Pokémon não atacou Samus pois Ridley já sabia que não poderia enfrentá-la. Há uma estratégia planejada por ele. Atacar na fase Pokémon seria estúpido demais.

    ---
    CONCORDÂNCIA 1: Sim. Notei fortemente que o enredo foi baseado em Fusion.

    CONCORDÂNCIA 2:
    Estranhamente, na sessão de gameplay seguinte, Samus decide não usar bombas ou mísseis antes de Adam autorizar. Porque será? Ah sim: para demonstrar que Samus está se colocando voluntariamente sob o comando de Adam. Não era esta a mesma mulher que disse claramente não gostar de receber ordens?
    HAHA! BOA. Esse argumento foi um belo tiro certeiro.

    CONCORDÂNCIA 3: Devo admitir que o fato de Adam impedir Samus de usar quaisquer armas fora o Power Beam (além, é claro, das armaduras) foi uma m***. Além do fato que Samus misteriosamente estava usando a Power Suit no início do início do início do jogo. Ora, ela escapou da Mother Brain com a Gravity Suit, huh? Como assim os médicos da GF tinham que remover uma fase da armadura para curar Samus? E se fosse preciso, por que Samus já não havia ativado antes de chegar ao Bottle Ship? Aí é que está o problema: eles fazem isso pelo gameplay. Destruiram parte da história porque pessoas não gostam de estarem overpowered logo no início do jogo. Mas, bem, eles não podiam ter feito a história de um jeito diferente para dizer que Samus REALMENTE NÃO PODIA usar seus power-ups? Saudades da Retro Studios.

    CONCORDÂNCIA 4:
    Ela afirma que ele não era do tipo que fazia piadas durante reuniões, mas quando terminava as sessões dizendo “Any objections, lady”, ele estava brincando. Claro, não é como se ele estivesse chamando a atenção para o seu gênero em frente a um grupo quase inteiramente formado por homens, de um modo que te ridicularizasse em frente a eles. Essa cena toma a frase utilizada em Fusion como forma de confirmar a relação de confiança mútua entre superior e subordinado e a transforma numa piada, feita por uma figura masculina para ridicularizar uma pessoa mais jovem e menos influente.
    Quase aplaudi a ver esse argumento. Sério. E eles (developers) também falharam com eles mesmos ao fazer o jogo, pois Adam NUNCA sorriu - de verdade - em Other M. Por que a foda ele faria uma piada assim, sem mais nem menos?

    CONCORDÂNCIA 5:
    O flashback procede e Samus afirma que, uma vez que perdeu seus pais ainda muito jovem, não haveria razão para que ela não ver Adam como uma figura paternal. Sim senhores, Other M ignora completamente a figura dos Chozo e desconsidera que estes criaram Samus desde que esta perdeu seus pais, modificaram seu DNA de forma que ela pudesse suportar o ambiente hostil de Zebes e lhe deram a armadura de combate mais poderosa de todo o universo conhecido da série.
    SIM! E eu nem sei como não percebi isso! Eu estudei minucosamente a timeline de Metroid ultimamente e nem me preocupei com esse fato. Exatamente! A raça dos Chozo simplesmente não existe em Other M, mesmo sendo que os Chozo existem tanto no mangá quanto nos jogos! BRAVO!

    CONCORDÂNCIA 6:
    Assim que os soldados saem, Samus monologa sobre esta ser a primeira vez que ela participa de uma missão conjunta desde que se tornou uma caçadora de recompensas independente, o que é a maneira “sutil” de Other M dizer que Metroid Prime 3: Corruption nunca aconteceu e que Rundas, Ghor e Gandrayda não são ninguém importante.
    Esse argumento me deu ainda mais orgulho de ter dado karma para seu post. Mas, mais uma vez, menciono que há uma certa dedução de que a estória de Other M vem do mangá, onde não vimos nenhum dos caçadores de Corruption. Supostamente, os criadores do jogo fizeram tudo isso para atrair os jogadores a ler os mangás, não é mesmo? Não, não é. Os mangás e comics de Metroid saíram de circulação há muito tempo. A Nintendo não ganharia nenhum centavo com isso. A não ser que alguém realmente queira gastar milhões com um jogo apenas para fazer com que as pessoas "se aprofundem" nas aventuras de Samus Aran.

    CONCORDÂNCIA 7:
    Ah, mas ela não esperava mais vê-lo depois da explosão de Zebes”: considerando o tempo gasto entre a morte de Ridley e a explosão de Zebes em Super Metroid, não seria uma surpresa que os piratas tivessem conseguido pegar parte de seu DNA elevar para uma base segura onde ele pudesse ser clonado, como fizeram entre ZM e Prime.
    *claps* Nem precisa mais considerar ou sequer ler as curiosidades 1 e 5. Excelente linha de pensamento.

    CONCORDÂNCIA 8: A sessão "Morta e Enterrada" foi, sem dúvida, a melhor parte de todo o texto.

    ---
    MENÇÃO 1: Note que Other M é um anagrama para Mother, e a abreviação de Metroid Other M é MOM, o que faz a reciclagem da história do bebê ser mais forçada ainda.

    MENÇÃO 2: O jogo foi escrito assim pois a Nintendo "tentou" fazer fanservice para os interessados na cronologia. Como sabemos, a Nintendo é péssima em fanservice. Por isso, o jogo veio a ser o que é: uma história forçada em uma jogabilidade vaga.

    MENÇÃO 3: Me desculpe, mas era para ser uma análise. Apesar de ser perfeitamente bem escrita e elaborada, você exagerou em xingar o jogo. Mas sim, foi merecido.

    MENÇÃO 4: Tenho que dizer que, entre todos os Metroids, sim, esse enredo foi um lixo. Mas se Other M fosse o único Metroid já feito (ou se separássemo-no da cronologia), admito que o enredo seria o terceiro melhor filme que já vi. E acredite: vejo 4 filmes por semana. Apenas épicos.

    MENÇÃO 5: Engraçado é ver como Adam é um comandante retardado e sem noção de controle e planejamento em Other M, sendo que ele era um general impecável no mangá e em sua descrição em Fusion.

    MENÇÃO 6:
    Enquanto não descobrisse a identidade do traidor, Samus o chamaria por Deleter. É engraçado observar a reação de falantes naturais de língua inglesa, eles usualmente riem do quão ridículo é o nome.
    I'm pretty sure I didn't laugh at this. Actually, most of the action/drama/mistery movies would use a name like this. "Deleter" is something reasonable and easy to remember. Also, it makes sense, since this traitor is tecnially "deleting" all of those guys. About the plot, yes, I have to agree that this Deleter thing was just a stupid and senseless thing added to the game to make the players get "inside" (when they actually hated it). But let's think positively: AND IF this Deleter was sent to gather resources from the Bottle Ship, knowing it would be destroyed afterwards? And maybe he needed the soldiers for this. Well... whatever, this senseless added story is stupid. Nintendo should be bad for this. I hope they can make a better Metroid game after this crap. Also, PLEASE GIVE US MORE RETRO STUDIOS! Idiots.

    MENÇÃO 7:
    TVtropes (e outros resources familiares, expressões conhecidas, modo de escrever, de narrar e de conhecimento impecável da língua inglesa)
    Eu te conheço de algum lugar. É você? Então você não está morto? Hm... já fez mais de um ano, não? 31 de outubro. Eu até me lembro daquela conversa no eBuddy via 3DS que acabou virando a mesa. Senti saudades. Bem-vindo de volta, velho amigo. E peço desculpas por ter te matado fria e lentamente, até você desaparecer da mente de todos. (eu sei que não é você, só estou fazendo um draminha retardado, lol. Ou será que sou o Professor Layton?)


    MENÇÃO 8:
    Samus encontra Anthony tendo problemas com uma criatura...
    ...cujo design parece ter sido feito por macacos com câncer no cérebro.

    MENÇÃO 9: Uma coisa é consistente na cronologia segundo a Other M: os peitos da Samus são maiores do que em qualquer outro jogo abaixo de Fusion. O que faz sentido, não? (considere os peitinhos em Corruption) aeHOOO!

    MENÇÃO 10: O mais legal é que você, na verdade, escreveu um mini-livro de Other M. Só que pessimista. É perfeito para quem ainda não viu o filme. Eu adorei.

    MENÇÃO 11:
    Próxima à entrada do setor, pressentindo uma presença, ela se vira e dá de cara com um metroid filhote.
    Admito que dei um peido com o susto que levei na primeira vez em que passei por essa cena em 2010.

    MENÇÃO 12:
    É neste momento que Metroid: Other M mata Samus Aran: ela foi privada de sua independência ao ter suas habilidades restringidas arbitrariamente, teve sua coragem contestada na cena com Ridley, e agora teve sua força e poder de ação tomados por Adam, que parte para cumprir seu “ato heroico”. Samus Aran não é a protagonista deste jogo, o protagonista é Adam Malkovitch!
    Suponho que Samus terá de procurar a Triforce, risos. Falta bastante Coragem, Força e Sabedoria na personagem em Other M.

    MENÇÃO 13: "Ok, corta, edita e mata o porco." *giggles* Oi, Krusty!

    MENÇÃO 14: "mostrou K.G. sendo morto pelo Deleter." - agradeço por ajudar a saber o que houve com Misawa. Nem tinha pensado em James. O pior de tudo é que até no maldito espílogo do jogo, K.G. Misawa não está identificado como morto, assim como os outros, mas como desaparecido. Mas tem coisa aí! Meu Wii queimou, então não posso conferir, mas... e se James também estava indicado como morto? MISTÉRIO.

    ---
    PERGUNTA 1:
    “Adam, você está vendo isto? É um Zebesian” Não, Samus, é um Space Pirate.

    O propósito de chamar a criatura de zebesian é, mais uma vez, ignorar o que foi mostrado em MP3: Corruption, onde foi revelado o planeta natal da espécie. Nenhum dos jogos anteriores ou mesmo os manuais sequer sugere que Zebes fosse algo além de uma fortaleza para os Space Pirates. Além do mais, Samus foi criada em Zebes, vivendo junto aos Chozo, que lá desenvolveram uma sociedade, que posteriormente seria tomada pelos piratas, portando Other M contradiz Zero Mission e Super Metroid no processo.
    Afinal, você está afirmando que Zebesians são Space Pirates ou o contrário? Até onde eu sei, são duas criaturas completamente diferentes. Posso (e provavelmente devo) ter interpretado mal, mas acho que o primeiro parágrafo da Quote contradiz o segundo. Afinal, você não marcou seu comentário com roxo (ironia). Ou seja, o primeiro afirma que Zebesians são Space Pirates (que aparecem no jogo sendo manipulados com uma armadura) e o segundo diz que são diferentes. Also, as criaturas aí mostradas em Other M têm a total aparência de Zebesians. O que nos leva a outra pergunta:

    PERGUNTA 2: Por que Zebesians são hostis desde o começo da série se Samus foi criada pelos Chozo lá no seu planeta Natal? Segundo um fosso perdido nas minhas memórias desse estudo que fiz, Samus abandonou Zebes pois os Chozo queriam transformá-la em uma guerreira para sua raça. Foi aí que os Space Pirates atacaram. Isso quer dizer que, de alguma maneira, eles viraram os Zebesians para o "lado negro da força" e os usaram para extinguir os Chozo?

    PERGUNTA 3: “Com sua predileção por transportar carga ilegal, como infantes metroids, eu devo pedir que você restrinja a sua...(risada)” - Uh... sério, em dois anos com esse jogo em mente ainda não entendi qual seria o final dessa frase ou seu significado. O que ele quis dizer com a risada? Gibe answer plos.

    ---
    CURIOSIDADE 1: Sabia que Ridley, na verdade, é um ser extremamente inteligente e pode até falar? Na verdade, Ridley é um general dos Space Pirates, ou até um comandante geral. Isso, obviamente, segundo o mangá. Mas para quê saber disso se estamos interessados nos jogos? Bom, para explicar como Ridley retorna das cinzas. Quando Ridley é danificado e foge, ele simplesmente se recupera com suas habilidades de regeneração ou usa partes mecânicas ou biológicas para se recuperar (sim, Meta Ridley e Omega Ridley). Ele também construiu uma réplica inteligente de si mesmo, que é o Mecha Ridley do final de Zero Mission. Quando ele é reduzido a pó, bom, antes das batalhas, Ridley faz uma espécie de "backup" do próprio DNA, e os Space Pirates simplesmente o clonam.

    CURIOSIDADE 2: A base da série Metroid não são os Metroids, e sim os Space Pirates. Foram eles que viraram a arma de defesa biológica dos Chozo, os Metroids, para "o lado negro", assim ajudando no extermínio dos Chozo e ataque da humanidade. A Galactic Federation apenas surgiu na Terra por culpa dos Space Pirates.

    CURIOSIDADE 3: "Metroid" significa "Guerreiro Invencível" na linguagem Chozo. E sim, os Metroids foram criados pelos Chozo.

    CURIOSIDADE 4: Confirmando as perguntas 1 e 2: vendo que Corruption usa o nome "Space Pirate Homeworld" ao invés de Zebes, concluo que são dois planetas diferentes. Logo, Space Pirates e Zebesians são raças diferentes. Sem falar que o design de Zebesians em qualquer outro jogo é completamente diferente dos Space Pirates em Prime Trilogy. Mas você ainda pode me contradizer com o simples fato de nunca termos visto Zebesians em Space Pirates no mesmo jogo.

    CURIOSIDADE 5:
    Isto significa que Eugene é na verdade Ridley!
    Isso confirma a Curiosidade 1. Ridley não é simplesmente clonado. Ele começa em uma larva modificada, que é o pequeno Pokémon. E admito que não havia identificado Ridley como o Pokémon ou Eugene, é sério. Mas há uma idiotice extra aí: COMO O EUGENE SAIU DO POKÉMON SE ELE MAL CABE LÁ DENTRO? E COMO O RIDLEY SAIU DE EUGENE? Não vale dizer que eles saem e crescem. Nem Ridley tem capacidade de regeneração e crescimento tão elevados e... ah, sim, nada faz sentido em Other M. I know that feel, bro.

    ---
    MINHAS FALHAS:
    FALHA #1: “Mas faz sentido se você ler o mangá” é o mesmo que ler "HAMBURGER, HALF OF YOUR ARGUMENTS CAN BURN! KABOOM!!!". Touché, você venceu essa logo de cara. Só não escrevi uma resposta depois pois não dá pra memorizar o texto todo para dar uma resposta completa. Eu tenho falta de RAM no cérebro.

    FALHA #2:
    Madeline afirma que temia que os “Zebesians” pudessem evoluir e se tornar space pirates. Bem, eu sei que até o momento a espécie nunca teve um nome definido dentro da série (Zebesians não conta e eu expliquei porque) e chamá-los de space pirates é uma definição genérica da ocupação primaria destas criaturas. Isto me leva à questão: porque ela acredita que eles evoluiriam justamente para Space Pirates?
    Ainda não estou certo disso, mas acho que isso meio que estuprou alguns bons argumentos meus aí em cima.

    FALHA #3:
    os Space Pirates são bastante inteligentes, capazes inclusive de reconstruir Ridley e Mother Brain e reimplantar as memórias destes!
    Está aí outra afirmação arrasadora que surge triunfante, tornando todos os argumentos que escrevi desnecessários, pois você já sabia de tudo! É. Você não sabe tanto quanto eu. Você sabe mais do que eu. Xeque-Mate. Muito boa observação!

    ---
    MINHA CONCLUSÃO:
    Um filme. É isso que Metroid: Other M é. Um filme. Um filme escrito por qualquer noob sentado na loja da Apple que foi sequestrado para o HQ da Nintendo para jogar um Metroid qualquer, ler uma "revistinha" não-canon da série enquanto caga e fazer um filme baseado nisso. Nesse caso, posso comparar esse jogo a Resident Evil. Todos dizem que Resident Evil ficou um lixo por perder toda a imersão e sensação de survival horror que a série tinha até o 4, não é mesmo? Imagine se Resident Evil 5 em diante tivesse outro nome e outros personagens, mas com a mesma jogabilidade e história. Seria tão melhor aceito que as notas oficiais elevariam incessantemente. Mesma coisa com MOM: se fosse um filme ou um jogo com outro nome seria bem melhor aceito. Como um jogo, ele não deve bosta nenhuma à série Metroid senão contar como Adam morreu com uma desculpa idiota. Sem falar que o suposto "filme" deveria ter todas as suas contradições consertadas, e deveria contar quem foi o bendito deleter! E é bom que seja um filme alternativo mesmo, pois nem serve para ser um jogo pela jogabilidade totalmente linear e gráficos meia-boca (sim, prefiro os gráficos de Corruption mil vezes mais que os de Other M).

    Ao todo, Other M foi feito para tentar dar a Samus um pouco de personalidade, sendo que esta guerreira acabou sendo rebaixada friamente a uma criança imatura. Mais uma vez, isso foi uma tentativa totalmente falha de fazer fanservice. Ainda me arrependo de ter pagado 400 reais nesse jogo por ter feito a pré-venda na GameStop e depois ser roubado pela embaixada brasileira (huehuehue). Pelo menos tenho o art folio com peitos, né. O que ainda não vale nada, pois é um dos piores bundles que já vi. O que tem de bom em Other M? Como quase todo jogo ruim (usamos como exemplo Sonic the Hedgehog 2006 e Cheetahmen), Other M tem uma trilha sonora boa, bom, pelo menos se levarmos em conta a música secreta do menu após zerar o jogo, que eu honestamente uso para dormir todas as noites ou para chorar quando estou deprimido.


    Peitos.

    FIM!
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    Re: Uma análise da estória de Metroid Other M

    Mensagem por Goukeban em Seg 05 Nov 2012, 11:22

    feichaw escreveu:Único Metroid que passei e passarei longe. E pensar que quase comprei um Wii só pra jogar esse jogo...

    EU diria que vale a pena comprar o Wii para jogar o MP3: Corruption. Além de Red Steel 2, Madworld, Mario Kart, Sonic Colors...

    Hamburger escreveu:
    ERRO 2: Você esqueceu de mencionar que o computador "Adam" afirmou que existe mais de uma SA-X na nave. Por isso ela volta para matar o último chefe, mesmo depois de você tê-la matado posteriormente.

    ERRO 3: “O nome vem do fato de que o propósito do sinal é chamar atenção” - Na verdade, a Galactic Federation utilizaria um codinome desses em qualquer missão para qualquer pessoa, a missão apenas teria o melhor nível de urgência. Mas sim, o nome foi forçado.

    ERRO 4: Samus apenas enxerga Ridley no início de Prime e depois batalha com ele, apenas uma vez. E sim, Ridley não aparece em Echoes.

    ERRO 5: Na verdade, excluindo a parte com Anthony na base da Galactic Federation, essa foi a parte em que Samus mostrou ter mais "humor" no jogo. Neste caso, obviamente, ela está mesmo sendo irônica.

    2- Verdade, esqueci!
    3- Na verdade é uma crítica à natureza óbvia da frase, já que todo sinal de S.O.S. tem o objetivo de chamar a atenção.
    4- Justamente, eu estaa listando as vezes em que ela encontrou Ridley, não especificando se lutou ou não.
    5- Na verdade eu estava criticando a dublagem mediocre da cena. Segundo informações, a dubladora foi orientada por Yoshio Sakamoto (que, só pra constar, não domina a lingua inglesa) a entregar as falas naquele tom monótono e inexpressivo.


    Hamburger escreveu:
    CONCORDÂNCIA 4: E eles (developers) também falharam com eles mesmos ao fazer o jogo, pois Adam NUNCA sorriu - de verdade - em Other M. Por que a foda ele faria uma piada assim, sem mais nem menos?

    Verdade, os únicos do Platoon que sorriem durante o jogo são Anthony e James (se bem que aquele devia ser o "rape smile" dele!).

    Hamburger escreveu:
    ---
    MENÇÃO 1: Note que Other M é um anagrama para Mother, e a abreviação de Metroid Other M é MOM, o que faz a reciclagem da história do bebê ser mais forçada ainda.

    Sim, pra se ter uma idéia da "sutileza" com que o tema é tratado!

    Hamburger escreveu:
    MENÇÃO 2: O jogo foi escrito assim pois a Nintendo "tentou" fazer fanservice para os interessados na cronologia. Como sabemos, a Nintendo é péssima em fanservice. Por isso, o jogo veio a ser o que é: uma história forçada em uma jogabilidade vaga.

    Eu diria o contrário, acho que a Nintendo é profissional em fanservice (eles fazem bilhões com franquias de mais de duas décadas de idade!), o problema foi o modo como Sakamoto tratou a franquia neste caso, praticamente jogando uma tradição no lixo.

    Hamburger escreveu:

    MENÇÃO 8: ...cujo design parece ter sido feito por macacos com câncer no cérebro.

    Numa LP de Other M comentada pelo Maple Leaf e o Oliver Branch, onde eles comentam as falhas de Other M, eles comentam que aquela criatura teve o design inspirado no anomalocaris, uma criatura do período cambriano.



    Hamburger escreveu:
    MENÇÃO 11: Admito que dei um peido com o susto que levei na primeira vez em que passei por essa cena em 2010.

    Esse comentário me lembrou da primeira vez que peguei o termal visor em Prime, dá aquela sensação de "Oh, SHIT!!"

    Hamburger escreveu:
    MENÇÃO 14: "mostrou K.G. sendo morto pelo Deleter." - agradeço por ajudar a saber o que houve com Misawa. Nem tinha pensado em James. O pior de tudo é que até no maldito espílogo do jogo, K.G. Misawa não está identificado como morto, assim como os outros, mas como desaparecido. Mas tem coisa aí! Meu Wii queimou, então não posso conferir, mas... e se James também estava indicado como morto? MISTÉRIO.

    Curiosamente, K.G. teve apenas duas palavras de diálogo no jogo e Lyle apenas duas frases! Me surpreende que eles não tenham conseguido vaga na Enterprize!

    Hamburger escreveu:
    PERGUNTA 3: “Com sua predileção por transportar carga ilegal, como infantes metroids, eu devo pedir que você restrinja a sua...(risada)” - Uh... sério, em dois anos com esse jogo em mente ainda não entendi qual seria o final dessa frase ou seu significado. O que ele quis dizer com a risada? Gibe answer plos.

    Significa " Sou o vilão mais óbvio que você vai ver na série, MUAHHAhahahHhaHHAHAHhhHhahH!"

    Hamburger escreveu:
    CURIOSIDADE 2: A base da série Metroid não são os Metroids, e sim os Space Pirates. Foram eles que viraram a arma de defesa biológica dos Chozo, os Metroids, para "o lado negro", assim ajudando no extermínio dos Chozo e ataque da humanidade. A Galactic Federation apenas surgiu na Terra por culpa dos Space Pirates.

    CURIOSIDADE 3: "Metroid" significa "Guerreiro Invencível" na linguagem Chozo. E sim, os Metroids foram criados pelos Chozo.

    Verdade, os Chozo os criaram para combater o X parasite, que representava um perigo para outras civilizações da galáxia.

    Hamburger escreveu:
    CURIOSIDADE 5: Isso confirma a Curiosidade 1. Ridley não é simplesmente clonado. Ele começa em uma larva modificada, que é o pequeno Pokémon. E admito que não havia identificado Ridley como o Pokémon ou Eugene, é sério. Mas há uma idiotice extra aí: COMO O EUGENE SAIU DO POKÉMON SE ELE MAL CABE LÁ DENTRO? E COMO O RIDLEY SAIU DE EUGENE? Não vale dizer que eles saem e crescem. Nem Ridley tem capacidade de regeneração e crescimento tão elevados e... ah, sim, nada faz sentido em Other M. I know that feel, bro.

    Isso vai contra até a lei de conservação de massa já que, pra ficar daquele tamanho tão rápido, ele teria criar matéria do nada, ou aprender a transformar ar em carne e sangue!

    Hamburger escreveu:
    Ainda não estou certo disso, mas acho que isso meio que estuprou alguns bons argumentos meus aí em cima.

    Estava pesquizando um pouco mais e li no Wikitroid que na versão japonesa de Metroid Prime 3 o Pirate Homeworld recebe o nome Urtraghus. Curioso que tal nome não tenha constad na versão norte-americana.

    Hamburger escreveu:
    ---
    MINHA CONCLUSÃO:
    Um filme. É isso que Metroid: Other M é. Um filme. Um filme escrito por qualquer noob sentado na loja da Apple que foi sequestrado para o HQ da Nintendo para jogar um Metroid qualquer, ler uma "revistinha" não-canon da série enquanto caga e fazer um filme baseado nisso. Nesse caso, posso comparar esse jogo a Resident Evil. Todos dizem que Resident Evil ficou um lixo por perder toda a imersão e sensação de survival horror que a série tinha até o 4, não é mesmo? Imagine se Resident Evil 5 em diante tivesse outro nome e outros personagens, mas com a mesma jogabilidade e história. Seria tão melhor aceito que as notas oficiais elevariam incessantemente. Mesma coisa com MOM: se fosse um filme ou um jogo com outro nome seria bem melhor aceito. Como um jogo, ele não deve bosta nenhuma à série Metroid senão contar como Adam morreu com uma desculpa idiota. Sem falar que o suposto "filme" deveria ter todas as suas contradições consertadas, e deveria contar quem foi o bendito deleter! E é bom que seja um filme alternativo mesmo, pois nem serve para ser um jogo pela jogabilidade totalmente linear e gráficos meia-boca (sim, prefiro os gráficos de Corruption mil vezes mais que os de Other M).

    Ao todo, Other M foi feito para tentar dar a Samus um pouco de personalidade, sendo que esta guerreira acabou sendo rebaixada friamente a uma criança imatura. Mais uma vez, isso foi uma tentativa totalmente falha de fazer fanservice. Ainda me arrependo de ter pagado 400 reais nesse jogo por ter feito a pré-venda na GameStop e depois ser roubado pela embaixada brasileira (huehuehue). Pelo menos tenho o art folio com peitos, né. O que ainda não vale nada, pois é um dos piores bundles que já vi. O que tem de bom em Other M? Como quase todo jogo ruim (usamos como exemplo Sonic the Hedgehog 2006 e Cheetahmen), Other M tem uma trilha sonora boa, bom, pelo menos se levarmos em conta a música secreta do menu após zerar o jogo, que eu honestamente uso para dormir todas as noites ou para chorar quando estou deprimido.


    Peitos.

    FIM!

    Isto me lembra de um episódio do Extra credits, some a técnica de narrativa em games, e eles comenta que um problema frequente na mídia é que muitos desenvolvedores não se dão conta de que, por ser uma mídia diferente de filmes ou livros, games requerem um método diferente para se narrar uma estória. Jogos como Metroid Prime ou God of War fazem isto muito bem, contando a estória através do ambiente, e Shaow of the Colosus conta a estória, em grande parte, através do gameplay.

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    Re: Uma análise da estória de Metroid Other M

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      Data/hora atual: Seg 23 Out 2017, 11:35